A audiência de instrução e julgamento dos 11 integrantes da torcida organizada União Tricolor, do Joinville Esporte Clube (JEC), denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em abril deste ano, por tentativa de homicídio e outros crimes conexos, ocorreu nesta quarta-feira (13) no Fórum de Joinville, Norte de Santa Catarina.
Os trabalhos transcorreram por quase nove horas – Foto: Gladionor Ramos/NDTVOs acusados agrediram, espancaram e ameaçaram de morte torcedores das equipes do futebol paraense, Paysandu e Remo, em um bar no bairro Aventureiro, zona Leste da cidade.
O homem que ficou gravemente ferido após ser agredido por uma barra de ferro, socos e pontapés em fevereiro deste ano, foi ouvido no Fórum da cidade. Os trabalhos transcorreram por quase nove horas. A vítima era torcedor de um time paraense, e estava no bar quando a confusão começou.
SeguirWellington Gleidson do Nascimento Santos, de 28 anos, chegou a ficar em coma. Ele contou que ainda mantém a rotina com atendimentos médicos e fisioterápicos devido às sequelas. Ele ficou 26 dias internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ele recebeu alta hospitalar após mais de um mês de internação e tratamento.
Foram ouvidas 27 pessoas, 16 testemunhas de acusação e defesa, além dos 11 réus, inclusive um que se encontra foragido. Ele foi interrogado por videoconferência. Os acusados no processo são: Lucas Matheus Baia, Gustavo Henrique da Rosa Borba, Lucas Schmidt Maia, Maicon Constancio, Maicon Fauth Escodel, Matheus Henrique Marcelino, Paulo Henrique Anicacio, Rhudy Jopher Dantas Siqueira, Richard Borba Daghetti, Vinicius Marcos Baia e Vitor Hugo Maia.
A mulher responsável pelo estabelecimento comercial, onde as agressões ocorreram, quando a torcida organizada União Tricolor invadiu o local e atacou os torcedores do Paysandu, também foi ouvida no Fórum de Joinville. Na ocasião em que o ataque dos torcedores ocorreu, ela estava grávida de 7 meses .
“Logo em seguida comecei a passar mal. No dia fui ao hospital. Fiquei muito nervosa. Fui depor na delegacia e não consegui ver o vídeo. Não conseguia me concentrar naquilo. Minha pressão foi aumentando. Fui internada”, relatou ela.
Durante a audiência, um dos acusados, Lucas Bahia, admitiu ter participado da briga, mas negou ter golpeado a vítima com a intenção de matar. Ele chegou a se emocionar ao lembrar da filha. A reação do acusado não comoveu o promotor, Ricardo Paladino.
“Essa atitude não me comove, porque ele chora pela situação pessoal dele hoje, de estar privado de liberdade. Não propriamente pelas consequências que ele deixou na família daquelas pessoas que perderam seu sustento”, relata o promotor.
Ao final da audiência, as defesas dos envolvidos ainda encarcerados e do réu com paradeiro incerto encaminharam o pedido de revogação das prisões, com posição contrária do Ministério Público. A resposta será dada em análise posterior da justiça.
O processo entra agora na fase das alegações finais, com prazo para a manifestação das partes. Apresentadas as peças, a Magistrada decide em 10 dias se o caso vai a júri popular.
No decorrer das investigações 12 suspeitos foram identificados, um teve ação penal trancada( conseguiu comprovar que não estava na cidade no dia dos fatos), dois permanecem detidos, um está foragido e os demais foram detidos e soltos.
* Com informações de Matheus Furlan, repórter da NDTV Joinville