Investigado por propina na Floram é demitido de cargo com salário de R$ 8 mil no Detran

Nei João da Silva, um dos investigados por cobrar propina para avalizar construções em Florianópolis, ganhou cargo no governo de SC

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

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Um dos investigados pelo esquema de pagamento de propina na Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) era nomeado pelo Governo de Santa Catarina como diretor de tecnologia e inovação do Detran.

Após vídeo divulgado no sábado (16) pelo ND+ revelando o esquema, Nei João da Silva foi exonerado do cargo com salário de R$ 8 mil. O decreto, assinado por Jorginho Mello (PL), foi publicado na segunda-feira (18) no Diário Oficial do Estado.

Após escândalo por propina na Floram, servidor nomeado no governo de SC é exoneradoNei João da Silva foi exonerado do cargo que ocupava como diretor de tecnologia e inovação do Detran – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Divulgação/ND

Nei está entre os investigados por supostamente cobrarem propina para avalizar construções em Florianópolis. Um dos servidores da Floram, Felipe Pereira, foi gravado em meados de 2022 supostamente cobrando pagamento indevido de um construtor na Capital.

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O documento do pedido de busca e apreensão apresentado pela Polícia Civil em 5 de setembro mostra que pelo menos seis pessoas são investigadas – dentre elas três servidores municipais e três construtores.

O inquérito policial apura se os construtores se beneficiaram do esquema para burlar a fiscalização e erguer obras irregulares.

Nei João da Silva, segundo a Polícia Civil, era na época dos fatos o diretor de Fiscalização na SMDU (Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano), secretaria apontada também como destinatário da propina.

O ND+ procurou o governo de SC para saber se a exoneração tem relação com o caso investigado com a Polícia Civil, mas ainda não obteve o retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Pagamento milionário e às sextas-feiras: como era o esquema de propina em Florianópolis

O inquérito policial detalha fatos ocorridos durante o ano de 2022, mas não especifica quando começaram as cobranças, tal como o número total de vítimas. Comprovantes de transações bancárias, PIX, relato de vítimas e a troca de mensagens ampararam a investigação.

Os investigados recebiam a propina tanto para fornecer avais para construções irregulares e com às regulares. No início, o pagamento das cobranças era realizado nas sextas-feiras, quando os empreiteiros se reuniam na sede da SDMU. Posteriormente, Pereira passou a recolher pessoalmente os valores.

Quando os pagamentos atrasavam, os construtores costumavam ter as residências ameaçadas de demolição, de acordo com o processo. Uma das vítimas que depôs contou que “teve sua casa no bairro Ribeirão da Ilha demolida, de um dia para o outro”.

Os servidores faturavam pelo menos R$ 2 milhões por mês, detalhou nesta segunda-feira o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, em entrevista à NDTV.

O que dizem as defesas

Procurado pelo ND+, a defesa de Nei João da Silva não respondeu até a publicação desta matéria. No entanto, na segunda a defesa emitiu uma nota de resposta às acusações de corrupção.

“Vamos colaborar com investigação. A gente pretende provar a inocência dele e mostrar a verdadeira intenção por trás dessa notícia”, afirmou o advogado André Kinchescki, que representa Nei.

O advogado Eduardo Herculano, que representa Felipe Pereira e Carlos Augusto de Jesus, informou que não irá se manifestar sobre o caso.

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