Acompanhado da equipe de ministros, o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou na tarde desta sexta-feira (24) sobre o pedido de demissão do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e a exoneração de Maurício Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal. O presidente desmentiu Moro afirmando que Valeixo havia pedido para deixar o cargo e que estava “cansado” do comando da PF.
Bolsonaro esteve acompanhado de ministros durante pronunciamento – Foto: Carolina Antunes/PR/NDSegundo Bolsonaro, houve uma reunião em particular com Sergio Moro na última quinta-feira (23), para tratar da troca do comandante geral da Polícia Federal. Na ocasião, Moro disse que concordava em exonerar Valeixo apenas em novembro, quando ele esperava ser indicado para o STF (Supremo Tribunal Federal).
Após o pronunciamento, foi a vez de Sergio Moro desmentir o presidente. Através de sua conta pessoal no Twitter, Moro disse que nunca utilizou a permanência do Diretor Geral da PF para ser nomeado para o STF. Ainda acrescentou que “se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF”.
SeguirA permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF.
— Sergio Moro (@SF_Moro) April 24, 2020
No início da coletiva, Bolsonaro disse que o ex-ministro se preocupa apenas com o seu próprio ego e não com o Brasil. “Como ele (Moro) disse na sua coletiva, por três vezes, tem uma biografia a zelar e digo que eu tenho um Brasil a zelar”, finalizou Bolsonaro.”
“Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”
Durante o pronunciamento, o presidente demonstrou o seu incomodo com as investigações da Polícia Federal que se ocupou mais com o caso Marielle ao invés da facada realizada por Adélio Bispo, durante a sua campanha eleitoral para presidente.
“Será que é interferir na PF pedir quem mandou matar Jair Bolsonaro? A Polícia Federal de Sergio Moro mais se preocupou com a Marielle do que com o chefe do Supremo. Eu cobrei muito, mas não interferi”, disse Bolsonaro.
Segundo ele, a investigação da faca está mais fácil de encontrarem o responsável porque Adélio foi preso em flagrante e houve a prisão de celulares para realizar as apurações.
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Durante as investigações do caso Marielle, a Polícia Federal chegou a apurar um envolvimento da família Bolsonaro na morte da ex-vereadora. Na ocasião, houve o depoimento de um porteiro do condomínio que o presidente mora, no Rio de Janeiro. Em seguida, ele questionou quem subordinou para ele ter dado aquele depoimento.
“Eu sugeri a troca de dois superintendentes entre 27. O do Rio de Janeiro, foi sobre a questão do porteiro, a questão do meu filho 04, Renan, que agora tem 21 anos de idade. A questão era que o porteiro do caso Adélio, que os dois ex-policiais (investigados pelo caso Marielle) teriam ido falar comigo, também apareceu que meu filho 04 teria namorado a filha desse ex-sargento (Ronnie Lessa), falou.
Em seguida, Bolsonaro disse que pediu para uma equipe da Polícia Federal ir até o presídio de Moçoró, no Rio Grande do Norte, para interrogar o ex-sargento. Além disso, o presidente admitiu que ficou com a cópia de interrogatório de Ronnie Lessa.
Reconhecimento aos serviços da Polícia Federal
Bolsonaro também afirmou que não há nada contra o trabalho da Polícia Federal. Além disso, relembrou que foram agentes da própria PF que fizeram sua segurança e planejando rotas de fuga durante a sua campanha eleitoral.
O presidente afirmou que pretende indicar alguém que ele possa ter um contato direto, para ficar por dentro dos acontecimentos e conseguir relatórios para tomar as melhores atitudes como presidente da República.