Janela onde Luna caiu não tinha proteção ‘por falta de dinheiro para comprar’, diz delegado

A mãe e o padrasto da menina prestaram depoimentos à Polícia Civil no início desta semana. O inquérito ainda está em andamento e deve ser concluído em 15 dias, segundo o delegado que investiga a morte

Foto de Willian Ricardo

Willian Ricardo Chapecó

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A perícia feita no apartamento onde morava a menina Luna Victorique Zebatiero Carlota, de 5 anos, constatou que não havia telas de proteção para evitar acidentes. A criança morreu após cair de uma das janelas do 4º andar do prédio, na noite da última sexta-feira (8), em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Os laudos periciais oficiais devem ser entregues à polícia nos próximos dias.

Acidente ocorreu na noite da última sexta-feira em Chapecó, no Oeste – Foto: Jair Correia/NDAcidente ocorreu na noite da última sexta-feira em Chapecó, no Oeste – Foto: Jair Correia/ND

O delegado Éder Matte, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, afirmou que nenhuma das duas janelas tinha a proteção adequada. “Na janela do quarto havia uma tela fina para mosquitos e na sala não havia nem essa”, falou.

A mãe, 30, e o padrasto, 21, prestaram depoimento duas vezes na segunda e terça-feira, dias 11 e 12, pois apresentaram contradições de horários e outros detalhes nos depoimentos. Os dois podem ser ouvidos novamente nos próximos dias, assim como pai da garota, que mora na Irlanda.

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Questionados sobre a falta de proteção no apartamento, os dois foram sucintos, segundo o delegado. “Eles disseram que foi por falta de dinheiro para comprar e colocar”, completou. Luna morava com a mãe há cinco meses, pois antes vivia com a família paterna.

Matte presume que não existiu participação de outras pessoas na tragédia e está convicto que houve omissão dos responsáveis nos cuidados com a criança. A investigação aponta que a criança ficou sozinha por cerca de 15 minutos enquanto os pais estavam no mercado comprando alimentos.

“Houve negligência, tenho certeza, tendo em vista que o apartamento era no quarto andar, não havia tela de proteção e ela teria ficado sozinha por alguns minutos”, disse.

Ainda de acordo com o delegado, uma vizinha observou pela sobra da luz projetada em uma parede ao lado que a menina estava pulando no sofá próximo da janela. Minutos depois, conforme o relato, avistou a menina em pé no parapeito antes de despencar direto no chão a uma altura de quase 12 metros.

Delegado de Polícia Civil Éder Matte é o responsável pelas investigações. — Foto: Willian Ricardo/NDDelegado de Polícia Civil Éder Matte é o responsável pelas investigações. — Foto: Willian Ricardo/ND

“Ela relatou que pensou em gritar pedindo para a menina sair da janela, mas não fez isso por medo dela se assustar e cair. Naquele momento ficou sem reação e viu a menina caindo”, detalhou.

A polícia está coletando imagens de câmeras de monitoramento das ruas e também do estabelecimento onde os responsáveis estiveram para confirmar as informações relatadas nos depoimentos. O inquérito deve ser concluído em 15 dias.

Era rotina Luna ficar sozinha

Desde que passou a morar com o casal em Chapecó, era rotina a mãe e o padastro deixarem Luna sozinha em casa para atividades diárias, segundo o delegado.

“A mãe afirmou que em alguns períodos curtos deixava a menina sozinha em casa, principalmente quando o padrasto ia levar ela ao trabalho e ao mercado. Uma das razões, era porque queria fazer as compras mais rápido e outra porque eles têm apenas uma motocicleta, então não tinha como levar ela”, afirmou. As saídas duravam em média 20 minutos.

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