Jovem vítima de ação da guarda de Itajaí busca recomeçar após trauma

Adolescente ganhou curso preparatório para a carreira militar após repercussão do caso, que gerou revolta na população

Kassia Salles Itajaí

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A família do jovem de 17 anos vítima de uma ação da Guarda Municipal de Itajaí, agora, quer recomeçar. A mãe do jovem afirma que está procurando tratamento psicológico, depois do trauma sofrido pelo filho. A abordagem que repercutiu e gerou revolta aconteceu na rua Hercílio Luz, importante centro comercial, de Itajaí, na segunda-feira (13).

“Ele não consegue sair mais na rua”, conta. A família mora em Navegantes, mas o adolescente ia para Itajaí vender o doce para complementar a renda e realizar o sonho de seguir carreira militar.

O sonho está mais próximo: com a repercussão do caso, o jovem ganhou um curso preparatório para o concurso que pode garantir o ingresso dele na academia. Mas, como a prova é só em setembro do próximo ano, a família busca, agora, maneiras de complementar a renda, já que não podem mais contar com a venda de alfajor.

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Jovem foi abordado por guardas na rua Hercílio Luz, em Itajaí – Foto: Reprodução/NDJovem foi abordado por guardas na rua Hercílio Luz, em Itajaí – Foto: Reprodução/ND

O jovem vendia o doce normalmente em frente a um shopping, segundo a mãe, com autorização da administração do estabelecimento. A rua Hercílio Luz, onde o caso aconteceu, era apenas uma passagem para o jovem.

A mãe conta que ele já havia terminado de vender os doces e estava a caminho de casa, mas parou para pegar uma água. Foi quando aconteceu a abordagem, que gerou revolta em quem estava no local, e depois, na internet.

Guarda não vê excesso em abordagem

Apesar disso, a Guarda Municipal não vê como excessiva a postura de agentes durante a abordagem.  As imagens feitas por pessoas que estavam no local mostram o jovem sendo agarrado pelo pescoço em “mata-leão” e com a roupa rasgada.

Em nota, a Guarda Municipal destacou que “de acordo com os elementos colhidos até o momento, a análise dos relatórios de ocorrência, filmagens e depoimentos, não vislumbra-se a necessidade de afastamento dos guardas municipais envolvidos na ocorrência”.

A sindicância tem prazo de 30 dias para ser finalizada e após a conclusão, o corregedor da Guarda Municipal vai decidir se os agentes sofrerão alguma medida disciplinar. “A partir de agora, será instaurado procedimento de investigação preliminar, que visa a averiguação de todos os fatos e, caso seja constatado algum excesso, as medidas cabíveis serão tomadas”, traz a nota.

A abordagem foi classificada com “exagerada e violenta” por pessoas que acompanhavam a ação dos agentes e filmaram o que acontecia com o rapaz de 17 anos.

Nas imagens, o ambulante aparece sentado no chão, com um dos guardas o segurando pelo pescoço e outra agente tentando colocar os braços do jovem para trás para algemá-lo, enquanto o rapaz pede que eles parem e afirma ser trabalhador.

Ainda conforme a nota, “quando o homem foi localizado, não acatou às ordens dos fiscais, tentou fugir e foi contido pelos guardas municipais. Durante o procedimento, o ambulante derrubou um dos agentes e foi necessário uso de força física para contê-lo e evitar riscos à guarnição e ao abordado”, traz o documento.

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