Jovens denunciam violência policial após evento de rap em Joinville

Caso aconteceu na noite de quarta-feira (2), após evento do Rimas do Ghetto no Parque da Cidade

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

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“Minha carne está valendo quanto? Não tem ninguém para me defender. É preto, de dread aí vira maconheiro”. Foi assim que o modelo, cantor e compositor Lucas Damasio, de 25 anos, denunciou um caso de violência policial em Joinville, no Norte de Santa Catarina.

Lucas Damasio denuncia agressão na noite de quarta-feira (2), no Parque da Cidade – Foto: Reprodução/NDLucas Damasio denuncia agressão na noite de quarta-feira (2), no Parque da Cidade – Foto: Reprodução/ND

O vídeo, publicado nas redes sociais, é de desabafo e foi gravado na noite de quarta-feira (2), após mais um evento do Rimas do Ghetto que, naquele dia, foi realizado no Parque da Cidade, no bairro Guanabara.

“Eu posso te narrar o que aconteceu, agora explicar o porquê eu realmente não consigo. Até agora eu não sei porque eu fui alvo dessa abordagem extremamente violenta da polícia. Na verdade nós sabemos, não é mesmo? A polícia daqui é extremamente racista”, fala.

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O caso aconteceu após o evento de batalha de rimas e, ele conta que estava abrigado, aguardando um carro de aplicativo com um amigo, quando a abordagem aconteceu.

Jovens denunciam violência policial após evento de rap em Joinville – Vídeo: Reprodução/Internet

“Foi bem estranho. Não houve reação da minha parte porque eu não vi eles chegando, foi covardia pura. Estávamos nós dois esperando o Uber dele e trocando uma ideia após a batalha e eles chegaram. Nós não reagimos, eu fui respeitoso porque eu realmente fui ensinado a não confiar na polícia e sempre me afastar. Mesmo eu me afastando e dizendo que o carro dele estava chegando o policial me seguiu e foi truculento sem ter motivo algum”, conta.

Ele afirma que dois policiais chegaram sem pedir documentos ou informações. “Eram dois policiais e chegaram só falando ‘vaza, vão embora do parque’. Eu achei que eles tinham chegado para resolver outra coisa, quando chegaram me batendo eu só fui me afastando e o Mazinho falando ‘calma, o Uber está chegando’. Tomei um soco no peito e uma banda, sabe? O cara me chutou, tomei uma rasteira e quando caí no chão acabei cortando a boca por dentro. Saí fora antes porque poderia ficar pior. Foi tenso, não foi uma abordagem normal, não pediram documentos, nada. Foi só pancada mesmo e xingamento”, fala.

Na publicação do vídeo na página oficial do Rimas do Ghetto no Instagram, a indignação é a mesma do vídeo e da fala de Lucas. “Só queremos fazer arte”, começa a publicação. “Eu quero que as pessoas possam ir com as suas famílias prestigiar a batalha porque é algo que já está acontecendo e que esse fato não traga uma imagem negativa para um evento que leva arte para todas as pessoas”, finaliza Lucas.

Além das manifestações nas redes sociais, o Movimento Negro Maria Laura emitiu uma nota de repúdio.

A Polícia Militar afirma que foram geradas três chamadas de ocorrências entre 21h50 e 23h27. A primeira de “baderna” e uso de entorpecentes, a segunda “informando uma batalha de rap” com cerca de 80 pessoas com “som alto, perturbando e usando entorpecentes” e a terceira alegando briga.

Ao chegar ao local para verificar a segunda ocorrência, a PM afirma que não havia som e, na terceira, a suposta vítima da briga não estava. “Os policiais abordaram os presentes. Nenhum se apresentou como a vítima relatada. Todos foram abordados, consultados nomes e posteriormente liberados”, afirma a polícia.

Além disso, a PM ressalta que “se alguém alega agressão ou abuso policial, deve comparecer na corregedoria para relatar o fato, que será devidamente apurado”.

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