Poucas horas após serem flagrados com 200 kg de crack, armas e uma grande quantia de dinheiro em reais e até em dólares, os dois homens presos em Barra Velha, no Litoral Norte de Santa Catarina, tiveram a soltura decretada pela Justiça.
Mais de 200 kg de crack, além de armas e dinheiro, foram apreendidos na ação – Foto: PM/DivulgaçãoA ação que resultou na prisão dos suspeitos e na apreensão dos materiais ocorreu no bairro Itajubá, na noite de terça-feira (29), e foi feita pelo Cobra (Comando de Operações Busca Resgate e Assalto), grupo especializado do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais).
Segundo a Polícia Militar, após levantamentos realizados pela ACI (Agência Central de Inteligência), o grupo identificou os suspeitos e apreendeu mais de 200 kg de crack, R$ 240 mil em espécie e mais de 72 mil dólares, também em dinheiro.
SeguirAinda foram encontradas três pistolas, carregadores, munições de calibres diversos, rádios comunicadores, coletes e capas para colete balístico, uma espingarda de pressão e nove celulares.
Os dois suspeitos foram presos em flagrante por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo e encaminhados à delegacia de Polícia Civil.
Justiça considerou prisão dos suspeitos ilegal
Na manhã de quarta-feira (30), poucas horas após a prisão dos dois suspeitos, o juiz Gustavo Schulpp Winter, da 2ª Vara da Comarca de Barra Velha, decidiu pelo relaxamento da prisão em flagrante e pela soltura dos dois homens.
Na decisão, o juiz argumenta que a prisão foi ilegal, uma vez que não havia ordem judicial para ingresso na residência dos suspeitos e que não ficou provada a autorização dos moradores em relação à entrada dos policiais.
Ele ainda destaca que, apesar de os policiais declararem em depoimento que havia informações de que os suspeitos estavam praticando crimes no local, já conhecido pela prática de tráfico, isso não constitui “elementos idôneos aptos a demonstrar a prática de crime a autorizar o ingresso na residência e mitigar direito fundamental de proteção do domicílio”.
Winter também registra que “inexiste qualquer registro acerca do alegado monitoramento prévio ou abordagem de supostos usuários a evidenciar a prática criminosa antes da entrada no local”.
Assim, a soltura foi decretada “sem prejuízo da continuidade das investigações e diligências necessárias para apuração dos supostos ilícitos praticados”, segundo a Justiça. Procurada, a Polícia Militar disse que não se manifesta em relação a decisões judiciais.