Laudo revela causa da morte de menino com sinais de agressão em SC; tia está presa

Polícia Civil repassou informações sobre as investigações em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (11); inquérito policial ainda não foi concluído

Foto de Redação ND

Redação ND Chapecó

Receba as principais notícias no WhatsApp

“Politraumatismo”, foi o que apontou o laudo cadavérico do menino, de 2 anos, que morreu após dar entrada no Hospital Santa Luzia, em Ponte Serrada, no Oeste de Santa Catarina. Ele foi levado à unidade de saúde por uma vizinha na noite do último sábado (5) com marcas de suposta agressão.

A criança morava com a tia, que é suspeita do crime e foi presa temporariamente na noite de quinta-feira (10), em Videira, no Meio-Oeste do Estado.  “Ele tinha várias lesões, inclusive internas e graves”, disse o delegado da Polícia Civil, Marcelo Teske, nesta sexta-feira (11).

Velório do menino ocorreu no domingo (6). – Foto: Portal Oeste Mais/ReproduçãoVelório do menino ocorreu no domingo (6). – Foto: Portal Oeste Mais/Reprodução

Teske revelou que foram identificadas várias contradições no relato da mulher, tanto à polícia quanto para pessoas próximas da família.  Para a vizinha, a tia disse que o menino caiu. Aos médicos, contou que estava lavando roupa e encontrou a criança agonizando na cama. Em outra situação, descreveu que ele estava brincando, subiu em um raque e um televisor antigo que estava em cima do móvel caiu sobre ele.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A criança morava com a tia, o tio e outras seis crianças. Testemunhas relataram que já haviam ouvido gritos e agressões contra as crianças. Um boletim de ocorrência sobre maus-tratos já havia sido registrado em outra situação e o Conselho Tutelar chegou ir até a casa da família que, segundo o delegado, passava por dificuldades.

“O tio chegou a dizer que quebrou o televisor e o raque e o jogou nos fundos do terreno, mas imagens feitas pela perícia logo após a morte do menino, confirmaram que o eletrônico estava embaixo de uma mesa da sala e não em cima do raque, conforme relatado”, destacou Teske.

O delegado ressaltou, ainda, que a perícia apontou lesões contundentes que não eram compatíveis com a queda de um televisor sobre a criança. O médico também foi questionado e disse à polícia que lesões como as do menino só poderia ter sido ocasionadas caso ele tivesse uma queda do telhado, por exemplo.

Delegado de Polícia Civil, Marcelo Teske, repassou as informações colhidas até o momento pela investigação. – Foto: Arvito Concatto/NDTV ChapecóDelegado de Polícia Civil, Marcelo Teske, repassou as informações colhidas até o momento pela investigação. – Foto: Arvito Concatto/NDTV Chapecó

A tia cuidava das crianças em casa na data do crime, já o tio estava no trabalho conforme foi identificado pela folha ponto da empresa, por isso, a polícia descartou a sua participação.

A mãe do menino

Teske informou que a mãe do menino, e de outras quatro crianças que estavam na casa, estava trabalhando em Brusque (SC) e não tinha condições de levar os filhos, por isso eles estavam sob os cuidados dos tios. Ela enviava dinheiro para ajudar com as despesas e visitou as crianças duas vezes nos últimos dois meses.

Após a prisão da tia do meninos, as outras crianças foram recolhidas pelo Conselho Tutelar. “Serão colhidos maiores elementos para conseguir esclarecer o que realmente aconteceu, mas temporariamente a tia segue presa e à disposição da Justiça”, concluiu o delegado.

O Inquérito Policial ainda não foi concluído, mas devido ao desencontro nas informações repassadas pela tia em diferentes momentos, a Polícia Civil solicitou ao Poder Judiciário pela prisão temporária.

Tópicos relacionados