Somente em 2022, 908 pedidos de medidas protetivas solicitadas por mulheres vítimas de violência doméstica foram encaminhados pela DPCAMI (Delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e Idoso) de Blumenau, no Vale do Itajaí, ao Poder Judiciário de Santa Catarina.
Lei Maria da Penha: número de medidas protetivas concedidas pela Justiça cresce em Blumenau – Foto: Pixabay/Divulgação/NDFelipe Orsi, delegado de Polícia Civil em Blumenau, aponta que o número representa uma pequena redução quando comparado com o último ano, entretanto, ainda é alto.
“Foi um ano bastante intenso, com muitas medidas protetivas encaminhadas ao Poder Judiciário, e também muitas conclusões de procedimentos. Quanto as medidas protetivas, a exemplo do ano de 2021, foram encaminhadas à Justiça mais de 900 solicitações. O número se manteve praticamente o mesmo do ano anterior, porém, ainda tivemos uma grande intensidade de movimentação de medidas encaminhadas para efetivar essa essa proteção as mulheres vítimas de violência”, destacou o delegado.
SeguirPara o delegado, a medida protetiva tem se revelado de grande eficácia para combater a violência contra a mulher. “A quantidade de violação de medidas protetivas, comparado com o registro originário do boletim de ocorrência, é muito pequena. E o Feminicídio, que é o crime mais gravoso que podemos ter aqui na delegacia, normalmente não ocorre quando há essa medida. Recentemente infelizmente tivemos um caso em que um mulher com a medida protetiva ativa, acabou sendo morta pelo ex-companheiro. Este foi o primeiro na cidade em que a vítima tinha medida protetiva em vigor”.
Outro dado importante, diz respeito ao número de inquéritos policiais. “Foram 578 concluídos no ano de 2022, representando 43% dos inquéritos instaurados na cidade Blumenau”, ressalta.
A DPCAMI também atua nos casos de abuso sexual contra menores de idade, que segundo o delegado, tem novos casos chegando toda semana na delegacia. “Igualmente, assim como o combate à violência contra a mulher, o combate dos crimes contra dignidade sexual de crianças e adolescentes é uma das principais bandeiras aqui na nossa delegacia, e semanalmente, infelizmente temos casos dessa natureza”.
O delegado reforça a importância da atuação dos pais e familiares para o combate dos crimes. “Nem sempre a criança ou adolescente consegue verbalizar a situação, por isso é importante uma atuação em rede para que sejam detectados sinais de eventuais abusos. A rede de proteção se constitui nos professores, na rede de saúde que atende essa criança, nos pais e parentes próximos, que devem ficar atentos a qualquer situação diferenciadas com aquela criança ou adolescente”, finaliza Felipe Orsi.