A finalização do inquérito policial do Caso Luna Bonett Gonçalves, menina de 11 anos que foi levada ao hospital já sem vida e com hematomas por todo o corpo, inclusive na genitália, trouxe mais detalhes do sórdido crime cometido pela mãe e padrasto há exatos dois meses, em Timbó, no Médio Vale do Itajaí.
Menina Luna Bonett Gonçalves tinha 11 anos e foi morta na última quinta-feira (14) – Foto: Divulgação/Internet/NDSegundo o delegado responsável pela investigação, André Beckmann, o padrasto de Luna foi quem a espancou até a morte. Além disso, há evidências de que ele também seja o autor do estupro, já que foi o único homem a ter contato com a criança no mês de abril e pelo fato de manter as moradoras da residência em cárcere privado.
Padrasto espancou Luna e foi dar aula de artes marciais
A investigação aponta que o padrasto teria ido no mesmo dia do crime, 13 de abril, por volta de 15h30, na escola onde Luna estudava com o objetivo de tentar transferi-la para outra unidade de ensino. A atitude foi tomada porque a escola estava fazendo muitas perguntas sobre como Luna estava, já que faltava frequentemente às aulas.
SeguirContrariado por não ter conseguido transferir a menina, ele retornou para casa e iniciou o crime, causando ferimentos até que a menina perdesse a consciência. Inclusive, segundo a polícia, o relho apreendido em operação foi utilizado para espancar a vítima.
Depois de espancar Luna, por volta de 18h30, ele saiu de casa para dar aula de artes marciais. A polícia concluiu que ele retornou às 21h, e o Corpo de Bombeiros foi acionado para atender a ocorrência por volta de 00h30, quando a menina já estava sem vida por pelo menos quatro horas.
Um relho improvisado com galhos de árvore foi encontrado na casa onde Luna Bonett Silva, de 11 anos, foi morta, em Timbó – Foto: Divulgação/Internet/NDCriança tinha lesões na genitália e ânus
Em relação ao estupro, a polícia entende que o padrasto seja o autor, já que foi o único homem a ter contato com a vítima em todo o mês de abril. De acordo com a investigação, o homem mantinha a companheira e filhos em cárcere privado.
Ainda sobre o estupro, o laudo pericial apontou lesões na genitália e ânus da criança. A polícia entende que o padrasto tenha sido o autor, mas a comprovação precisa vir de um exame de DNA, que foi enviado a laboratório em Florianópolis e ainda não tem resultado.
“Há o indício de que ele praticou esse fato mas a confirmação cabal precisa desse exame pericial”, disse Beckmann.
Por que a mãe foi indiciada pelos mesmos crimes que o padrasto?
Em primeiro momento, a mãe de Luna teria assumido a autoria da morte da criança. Em depoimento, ela disse que a espancou depois de saber que a criança tinha um namorado e teria iniciado relações sexuais. No entanto, o inquérito comprovou que ela estava mentindo e que, na verdade, o padrasto cometeu os crimes.
Ainda assim, a mulher foi indiciada junto ao companheiro pelos crimes de feminicídio, tortura e abuso de vulnerável. Segundo o delegado, a omissão da mãe sustentou a decisão.
“A genitora tem a obrigação de evitar, e ela tinha a obrigação de chamar as autoridades. Ela estava com o celular na mão e nem chamou o atendimento, por isso ela vai responder aos três crimes, por sua omissão”, justificou.
Relembre todo o caso
O corpo de Luna chegou, já sem vida, ao Hospital OASE em Timbó na madrugada do dia 14 de abril. Inicialmente havia a hipótese de a criança ter morrido a caminho do hospital, mas a perícia apontou que Luna já estava morta há cerca de quatro horas quando a família acionou os bombeiros.
Os hematomas em todo o corpo e sangramento na genitália levantaram suspeita. A mãe e o padrasto foram conduzidos para a delegacia para prestar esclarecimentos, mas foram liberados após alegarem que a garota morreu após cair da escada.
Após perícia e com indícios de crime de violência contra a menina, eles foram intimados a depor novamente. A mulher então assumiu ter matado a menina e o casal foi preso temporariamente. Desde então, o inquérito continuou a investigar o crime, e as conclusões foram divulgadas nesta segunda-feira (13), exatos dois meses após o crime.