Mãe da criança estrangulada em SC presta depoimento: “pai fazia jogo mental”

Delegado destacou que Ubiratan Luis Modrock usava a filha como moeda de troca para atingir a mãe

Redação ND Joinville

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A mãe de Evylin Vitoria Modrok, 5 anos, criança que foi estrangulada e morta pelo pai em Guaramirim, Norte do Estado, prestou depoimento à Polícia Civil na tarde desta terça-feira (15). 

Segundo o delegado Augusto Melo Brandão, a mãe relatou que, após a separação do casal, há cinco meses, Ubiratan Luis Modrock fez ameaças a ela e à criança. Ela, inclusive, fez um boletim de ocorrência em março deste ano.

delegacia de guaramirimMãe de Evylin Vitoria Modrok prestou depoimento na tarde desta quarta-feira em Guaramirim- Foto: Gladionor Ramos

Um policial chegou a ser destacado para conferir a situação, mas teria relatado que a criança estava bem à época. Este policial será ouvido agora.

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Em outro boletim de ocorrência, registrado pela mãe em abril, ela denunciou Ubiratan por ameaça e furto. Neste caso, ela pediu medida protetiva para ela. Foi concedida. Ocorre que um tempo depois ela pediu para revogar a medida, explica o delegado, porque a medida estaria atrapalhando os planos de ver a filha.

Aliás, a mãe falou por várias vezes em depoimento que Ubiratan praticava atos de alienação parental, que é quando um dos pais influencia o filho a repudiar o outro genitor.

De fato, segundo testemunhas ouvidas no condomínio e o próprio Conselho Tutelar de Guaramirim, Ubiratan criava empecilhos para impedir que a mãe visse a criança, mesmo havendo a guarda compartilhada. 

O crime ocorreu no final da manhã de sábado (12) no condomínio fechado Brisa do Valle, que fica na rua Lauro Zimermann, bairro Escolinha. – Foto: Gladionor Ramos/NDO crime ocorreu no final da manhã de sábado (12) no condomínio fechado Brisa do Valle, que fica na rua Lauro Zimermann, bairro Escolinha. – Foto: Gladionor Ramos/ND

No entanto, alienação parental não configura crime, esclareceu o delegado Augusto Melo Brandão. Geralmente, é tratado em um processo civil de guarda, eventualmente, até para haver guarda unilateral, quando um dos pais fica com a guarda e o outro tem direito a visitas. 

Ainda de acordo com o delegado, o pai de Evylin fazia um “jogo mental” com a criança, prometendo coisas, usava a menina “como moeda de troca para atingir a mãe.

“O fato é que Ubiratan queria que ela voltasse para casa e ela não queria”,  resume Brandão.

O delegado confirmou ainda que Ubiratan também registrou boletins de ocorrência contra mãe por difamação. Mas apesar do histórico conturbado do casal após a separação, não havia sinais de que ele pudesse cometer um crime como esse: matar a própria filha por estrangulamento com uma camiseta. 

A Polícia Civil fez um levantamento da ficha criminal de Ubiratan e informou que não havia, até este sábado (12) nenhum crime imputado a ele. Nenhum histórico de violência até então, reforça o delegado de Guaramirim.

“Foi algo imprevisível, que não temos resposta. Não havia indícios de que ele pudesse cometer um crime como esse “, continua o delegado Augusto Melo Brandão. 

“Algo que foge do previsto tanto para nós policiais quanto que para qualquer pessoa.”

O crime

Ubiratan Luis Modrock confessou o crime e foi enquadrado pelo crime de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe (emprego de asfixia e por não ter dado chance de defesa à vítima). Ele teve a prisão preventiva decretada pela justiça na noite de domingo (13).

Ubiratan Luis Modrock, que confessou ter matado a filha em Guaramirim, sendo conduzido por um policial civil. – Foto: Gabriel Junior/Divulgação NDUbiratan Luis Modrock, que confessou ter matado a filha em Guaramirim, sendo conduzido por um policial civil. – Foto: Gabriel Junior/Divulgação ND

O Ministério Público, como de praxe, pediu diligências complementares, como perícia no celular da mãe. Ainda não há prazo para a conclusão dessa perícia. 

Há possibilidade, ainda, de o caso ser enquadrado como feminicídio. Mas, para isso, vai depender mais novos elementos e provas.

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