Mãe espera resposta há 2 meses sobre a filha perseguida e deixada morta no HU, em Florianópolis

Circunstâncias do suposto crime e causa da morte permanecem desconhecidas para a família; investigação está em fase de encerramento, segundo Polícia Civil

Foto de Felipe Bottamedi

Felipe Bottamedi Florianópolis

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Entre 5 e 8 de maio, a dona de dois restaurantes de entrega por aplicativo na Capital, Fernanda Marin Schmitt, de 24 anos, foi perseguida em Florianópolis, desapareceu e foi deixada morta em frente ao HU/UFSC (Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago). Os médicos tentaram ressuscitá-la, mas sem sucesso.

Dois meses depois, a causa da morte e o que se passou com Fernanda naqueles dias permanecem uma incógnita para a família. “Fiz a denúncia, prestei depoimento, procurei por ela”, reclama a mãe Angela Salete Neves Marin. Ela pede agilidade na investigação.

Fernanda desapareceu após voltar pra casa, em FlorianópolisFernanda era proprietária de dois restaurantes que realizavam entregas por aplicativo – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

O caso é investigado pela 2ª DP (Delegacia de Polícia) de São José, na Grande Florianópolis. Procurada pelo ND+, a Polícia Civil esclareceu no último dia 7 que o inquérito policial deve ser finalizado em cerca de 15 dias. A apuração ocorre em sigilo “para que as informações possam ser levantadas da forma mais eficaz possível”.

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O que se sabe sobre o caso

Era sexta-feira, 5 de maio, quando Fernanda desapareceu. Naquela noite ela encerrou duas horas mais cedo, às 19h, as atividades dos restaurantes Mahalo Comida de Verdade e Vó Dora, que entregavam comida por app. Ela saiu mais cedo para ir a uma apresentação da banda Africatarina no Instituto Arco-Íris, no Centro de Florianópolis.

“Ela encontrou amigas no evento. A Fernanda sempre mandava mensagem ‘estou aqui’, ‘estou lá'”, recorda a mãe.

Na atualização, encaminhada pela madrugada, a jovem informou que voltaria para casa a pé pois não tinham mais horários de ônibus disponíveis. Mãe e filha viviam juntas no Morro do 25, no bairro Agronômica.

Fernanda morava desde 2019 em Florianópolis – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDFernanda morava desde 2019 em Florianópolis – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Jovem foi perseguida

Enquanto retornava, por volta da segunda hora da madrugada do dia seguinte, a jovem avisou à mãe que estava sendo perseguida por um carro prata.

“[Ela] entrou em casa, trocou de roupa, colocou uma calça e fomos juntas ver quem a seguiu o trajeto todo”, relata Angela. “Eu fiquei no portão enquanto ela falava com o rapaz que estava dentro do carro”. A jovem pedia para o perseguidor ir embora.

Fernanda chegou a entrar em casa novamente, mas o rapaz persistiu na local. Quando retornou à rua, o rapaz desceu do veículo. “Eu fui chamar os vizinhos e quando voltei ela não estava mais, nem o carro e nem o meliante”, relembra a mãe. “Fiquei esperando o dia inteiro [de sábado] e nada.

Sem notícias da filha, Angela registrou boletim de ocorrência no dia seguinte na 5ª DP, no bairro Trindade.

Na segunda-feira, três dias após o desaparecimento, Angela recebeu uma ligação do HU. A instituição informava que a filha tinha sido hospitalizada em óbito e os médicos não conseguiram reverter o quadro. Fernanda foi sepultada três dias depois.

“Ela tinha hematomas em todo o corpo. No rosto, no pescoço, na perna”, conta a mãe.

No atestado de morte de Fernanda foi informado que a comprovação da fatalidade estava “dependendo de exames complementares”. Desde então a mãe não teve respostas.  A investigação foi instaurada ainda naquela semana.

“Me machuca saber que ela se foi e fizeram pouco caso”, desabafa Angela. Natural do Paraná, a jovem morava desde 2019 na Capital. Fernanda completaria 25 anos no dia 2 de junho.