Marcílio repudia ação da PM que teve celular apreendido e torcedores passando mal

Polícia Militar dispersou torcedores que aguardavam os jogadores na tarde deste domingo (3), vídeos da ação repercutiram nas redes sociais

Foto de Grazielle Guimarães

Grazielle Guimarães Itajaí

Receba as principais notícias no WhatsApp

A Polícia Militar e o Clube Náutico Marcílio Dias comentaram a ação policial de dispersão dos torcedores na tarde deste domingo (3), em frente ao estádio Dr. Hercílio Luz, em Itajaí, de acordo com a PM, a ocorrência era referente a queimas de fogos sem licença, evoluindo para desobediência e desacato.

Já o Clube, considerou a postura policial “uma ação desproporcional, que mais uma vez utilizou da força, violência e de gás de pimenta a esmo para dispersar, sem motivos, as pessoas que ali estavam de forma totalmente pacífica. Inclusive atingindo crianças que se encontravam ao entorno do estádio, sendo que duas delas foram prontamente atendidas dentro do estádio, pelo staff do Clube”.

De acordo com o boletim da polícia, a guarnição foi acionada para verificar um homem que estaria utilizando fogos de artifício em via pública, chegando ao local, os policiais afirmaram ao rapaz que as duas caixas de foguetes seriam apreendidos.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Porém o homem contestou dizendo que comprou com o seu dinheiro e que compraria mais, caso tivesse os objetos recolhidos e passou a desacatar os agentes. Diante dos fatos, o rapaz foi conduzido a delegacia para a realização de um termo circunstancial, mas resistiu à ação.

Ainda de acordo com a PM, com a chegada das guarnições de apoio outros torcedores começaram a inflamar a situação, xingando os policiais militares, sendo necessário o uso do espargidor (spray de pimenta) para dispersar a multidão.

Foram apreendidos, dez fogos de artifício, sendo sete já usados e três intactos. Diante dos fatos, a guarnição deslocou até a delegacia de polícia, a fim de realizar o procedimento em segurança.

Celular apreendido

Porém, os torcedores denunciam ainda a apreensão de um celular, modelo IPhone 7 plus, de uma torcedora que gravava a ação policial, mas o item não consta no relatório da PM. A dona do celular relatou que ela e seu esposo levaram spray de pimenta no rosto e precisaram de atendimento médico.

De acordo com a major Karoline Melo Marcon, que responde pelo 1° Batalhão de Polícia Militar de Itajaí, o celular foi apreendido para ser usado no inquérito, já que teria imagens da ocorrência e poderá ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos.

Já sobre o spray de pimenta, ele foi utilizado para a dispersão dos torcedores que estavam com os ânimos exaltados. Não consta nenhuma informação sobre pessoa conduzida para atendimento médico.

O Clube repudiou a ação policial, afirmando que a recepção dos jogadores tinha o apoio da Codetran e que não é a primeira vez que a PM usa de força exagerada contra os torcedores do Marcílio.

“Não podemos mais aceitar este tipo de repressão, que só acontece na cidade de Itajaí, e somente contra a torcida do Marcílio Dias. Enquanto isto, em diversos outros locais do Brasil, e inclusive em Santa Catarina, as recepções são tratadas de forma diferente pela Polícia Militar, como foi registrado em Florianópolis, no recente clássico entre Avaí e Figueirense (com fogos, fumaça, sinalizadores, etc.), sem que houvesse repressão e violência”, destacou o Marcílio.

Confira a nota do Clube Náutico Marcílio Dias na íntegra

Nota Oficial – Ação Polícia Militar

O Clube Náutico Marcílio Dias se manifesta oficialmente acerca dos fatos lamentáveis ocorridos antes da partida deste domingo, do lado de fora do estádio Dr. Hercílio Luz, quando aconteceria uma recepção ao ônibus da delegação do Marinheiro, organizada pela torcida do Clube.

O grupo de torcedores que aguardava o ônibus foi surpreendido pela ação desproporcional da Polícia Militar, que mais uma vez utilizou da força, violência e de gás de pimenta a esmo para dispersar, sem motivos, as pessoas que ali estavam de forma totalmente pacífica. Inclusive atingindo crianças que se encontravam ao entorno do estádio, sendo que duas delas foram prontamente atendidas dentro do estádio, pelo staff do Clube.

A mesma ação desproporcional já havia acontecido em outra partida no final de 2020, também sem motivos aparentes, e em outras ocasiões, sempre com total repúdio do Clube manifestado perante o comando local da Polícia Militar. A recepção deste domingo contava, inclusive, com o apoio da Codetran, que fechou a rua para que pudesse haver a recepção.

O Clube manifesta a sua total indignação com os fatos ocorridos hoje, e não entende o porque da perseguição aos torcedores do Marcílio Dias. O Presidente Executivo do Clube, Hercílio Henrique de Mello, ao ficar ciente da ocorrência, entrou prontamente em contato com o comando da Polícia Militar de Itajaí, ainda antes da partida.

Não podemos mais aceitar este tipo de repressão, que só acontece na cidade de Itajaí, e somente contra a torcida do Marcílio Dias. Enquanto isto, em diversos outros locais do Brasil, e inclusive em Santa Catarina, as recepções são tratadas de forma diferente pela Polícia Militar, como foi registrado em Florianópolis, no recente clássico entre Avaí e Figueirense (com fogos, fumaça, sinalizadores, etc.), sem que houvesse repressão e violência.

Caso algum cidadão infringir a lei em um dos eventos relacionados ao Clube, que este – e somente este – seja repreendido e sofra as consequências de seus atos, e não um grupo maior, completamente inocente, como vem ocorrendo. Inclusive crianças, mulheres e idosos, nosso público constante e mais vulnerável.

O Marcílio Dias, através de seu presidente executivo, espera que esta tenha sido a última vez em que estes fatos lamentáveis sejam registrados contra a torcida do Marcílio Dias, e fará o possível e o impossível para que isto ocorra. Não aguentamos mais tamanha repressão gratuita.

Tópicos relacionados