Os passos entre a porta de casa e o portão nunca pareceram tão longos, mas na tarde de sábado (5), essa era a distância que separava Débora Daniela Evangelista da filha Amanda Gabrieli Crespim após horas de angústia.
Amanda Gabrieli Crespim foi devolvida para a mãe Débora Daniela Evangelista horas após ser levada pelo pai – Foto: Arquivo Pessoal/DivulgaçãoDepois de ter sido levada pelo pai nos primeiros minutos daquela madrugada, em Jaraguá do Sul, a pequena Amanda foi devolvida para a mãe, no dia do seu aniversário de seis anos. “Eu acho que esqueci de tudo naquele momento. Agarrei ela, trouxe para perto de mim e disse que nunca mais vamos nos afastar, eu não posso nem mensurar o tamanho da minha alegria, de conseguir ter ela de volta. Não é fácil ver alguém arrancar tua filha e não conseguir fazer nada”, fala.
Ela conta que tudo começou por volta de 00h30, quando ela foi agredida e ameaçada pelo companheiro. Já na rua sendo socorrida e amparada por vizinhos e pelos filhos mais velhos, ela viu o companheiro colocar a filha dentro do carro e sair “cantando pneu”. Logo nas primeiras horas da manhã, Débora registrou boletim de ocorrência das agressões – que não eram inéditas – e da “subtração de incapaz”, como consta no registro da Polícia Civil.
SeguirDébora fala que após a publicação da reportagem e o rápido compartilhamento entre amigos e familiares, o companheiro procurou um primo que levou Amanda de volta para casa. “Depois da reportagem demorou uma hora no máximo, alguém deve ter falado ou ele viu a reportagem porque depois disso ele entrou em contato com um parente dele para trazer a pequena de volta”, conta. O reencontro aconteceu por volta das 17h30.
A mãe de Amanda diz que a menina está traumatizada, chora durante a noite e acorda procurando pela mãe. A primeira consulta com a psicóloga deve acontecer nesta terça-feira (8) e o acompanhamento já está nos planos da família. “Ela fala que ficou escondida em uma cabana desenha o lugar e fala que estava chovendo muito, que ficou com frio e fome até o pai comprar um enroladinho de salsicha. Agora, ela acorda chorando. Eu falo que está tudo bem e que vamos ficar juntas”, conta.
Amanda Gabrieli Crespim foi levada nos primeiros minutos da madrugada, no dia do aniversário de seis anos – Foto: Arquivo Pessoal/DivulgaçãoAliviada, Débora fala que ainda não consegue dormir direito, mas que as decisões de manter o boletim de ocorrência e pedir a guarda da filha são imutáveis. “Sei que vai levar um tempo ainda para ter paz, mas eu vou conseguir. Não quero saber dele, vou entrar com o pedido de guarda da pequena, medida protetiva. Por tudo que eu já passei, não queria expor ele, mas ele não pensou, ele me fez sofrer, sabe o quanto eu não consigo ficar longe da minha pequena”, salienta.
Débora já havia registrado outros boletins de ocorrência por agressão e, no último sábado, além de ser agredida e ameaçada, registrou a subtração da filha. Ela contou, ainda, que na manhã desta segunda-feira, o companheiro foi até a casa da família, que fica no bairro Vila Lalau, para buscar as coisas. “Ele teve a ousadia de vir hoje dentro da minha casa, falando que o advogado disse que ele tem o direito de estar aqui quando quiser”, diz.
Agora, ela só pensa em conseguir a guarda da filha e fazer a festa de aniversário que foi substituída por horas de angústia. “Ela fala muito do aniversário dela, nem que eu tenha que trabalhar 20 horas, mas eu vou fazer a festa para ela porque eu quero que ela preserve essa data que é muito importante. Não quero que ela lembre de tudo que aconteceu nesse dia. Quero que ela tenha o aniversário como uma data feliz”, finaliza.