‘Meu mundo desabou’: psicóloga denuncia importunação sexual durante treino em Joinville

Katlen da Silva foi surpreendida por agressor em plena luz do dia e repercutiu o episódio nas redes sociais

Foto de Richard Vieira e Felipe Bambace

Richard Vieira e Felipe Bambace Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp
Psicóloga denuncia importunação sexual durante treino em Joinville – Foto: Divulgação/NDPsicóloga denuncia importunação sexual durante treino em Joinville – Foto: Divulgação/ND

A psicóloga Katlen da Silva, de 34 anos, denunciou ter sido vítima de importunação sexual enquanto corria na avenida José Vieira, mais conhecida como Beira Rio, no Centro de Joinville (SC). O caso foi relatado pela vítima nas redes sociais e gerou indignação.

Katlen, que atende mulheres vítimas de violência, contou que tem o hábito de treinar cedo para participar de provas de corrida. Naquele dia, 31 de maio, por volta das 7h, foi atacada por um homem de bicicleta. Segundo ela, o agressor se aproximou por trás e a agrediu com um tapa violento na nádega.

“Ele olhou pra trás, riu, debochou. Quando virou pra frente e foi, meu mundo desabou naquele momento”, disse à NDTV Record.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A psicóloga afirmou que o agressor teve tempo para premeditar a ação. “Ele escolheu. Esse é o X da questão”, completou.

Psicóloga denuncia importunação sexual enquanto corria em avenida de Joinville – Vídeo: Divulgação/ND

Mais um episódio de violência contra psicóloga

Abalada, Katlen ligou para um amigo logo após o episódio, registrou boletim de ocorrência e buscou apoio na Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) de Joinville.

A unidade já havia sido procurada por ela em janeiro deste ano para uma medida protetiva, após outro episódio traumático.

“Eu fui uma criança que sofreu violência sexual seis vezes por seis homens diferentes. Que direito ele tem de colocar a mão em uma ferida onde eu já trabalhei em processo psicoterapêutico e quis deixar guardado. A gente não tem esse direito de infringir tamanha dor do outro”, desabafou.

Por conta própria, ela solicitou imagens de segurança e acredita que o flagrante foi registrado por uma câmera na fachada de um condomínio.

“Solicitei a administradora desse condomínio as imagens. Eu super entendo que imagens são direito de imagem. Tudo bem negar as imagens. Mas não me manda imagem cortada no momento que o agressor me segue. Como que a gente como mulher se sente?”, disse.

A psicóloga também solicitou imagens à Secretaria de Proteção Civil e Segurança Pública. Em reposta, foi informada que o acesso ao conteúdo é restrito às autoridades policiais e judiciais.

Repercussão do caso de importunação sexual em Joinville

Após compartilhar o caso em rede social, o vídeo reuniu centenas de comentários e milhares de visualizações.

“Por que o homem pode sair às seis da manhã e não sofrer nenhum tipo de violência ou de agressão? E nós não. Nós temos que pensar na roupa, no horário, pensar se está claro, escuro, como que está, rota, se tem mato, tem luz, câmera. É isso que eu quero trazer a conscientização para todas as mulheres. Não dá pra se calar diante disso”, pontuou.

A psicóloga espera que a Polícia Civil identifique o suspeito. Segundo o Código Penal, praticar ato libidinoso contra alguém sem consentimento, com objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro, pode resultar em pena de um a cinco anos de reclusão.

Tópicos relacionados