A proposta foi tentadora. Induzido a realizar um investimento de cerca de R$ 7,5 mil, um morador de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, acreditava que receberia um retorno de aproximadamente R$ 35 milhões. Passando por dificuldades financeiras, o pedreiro chapecoense investiu suas últimas economias no golpe revelado pela operação Falso Profeta.
Vítima do golpe financeiro contou ao Portal ND+ como foi induzida – Foto: NDTVA vítima entrevistada pela reportagem do Portal ND+ pediu para não ser identificada, e conta que tudo começou em fevereiro de 2022, quando soube do esquema por meio de um conhecido.
“Quando esse conhecido falou, acabei dando risada. Aí comentei com um rapaz que era praticamente de dentro de casa, e ele abriu o jogo de que isso ‘era real’ e que estava participando há alguns anos desse projeto”, conta o pedreiro.
SeguirPor meio deste amigo pessoal, uma mulher que operava o esquema na região de Chapecó foi apresentada à vítima e sua esposa. A operadora, por sua vez, promoveu o contato entre o casal e um dos líderes do golpe financeiro.
Golpe prometia devolução do dinheiro investido
Segundo o pedreiro, os suspeitos pelo golpe contaram que havia um projeto de cobrança de pagamento de dívidas para detentores de títulos públicos em todo o mundo, o que geraria um retorno milionário.
Os detentores dos títulos, por sua vez, dividiriam os lucros do pagamento das supostas dívidas dos governos com quem investisse em ações humanitárias, já que eles não necessitariam dos valores que receberiam.
Ao todo, o casal realizou três transferências de R$ 2,5 mil via Pix para os operadores do esquema. A promessa era que em pouco tempo seria repassado 1% do valor aos quais as vítimas teriam direito, e o restante seria recebido em parcelas ao longo dos meses seguintes.
Caso o valor não fosse pago, o dinheiro investido seria devolvido. Nem o suposto lucro nem o investimento inicial retornaram ao bolso do casal.
Conforme o tempo passava e o dinheiro não aparecia, a situação começou a se agravar dentro de casa. O casal passou a ter discussões, o pedreiro entrou em depressão e, neste interim, a esposa ficou grávida e deu à luz o filho dos dois.
“Eu já não conseguia mais me reconhecer, não conseguia mais comer, não descia mais a comida”, conta a vítima. “Acabei quase enlouquecendo. Esse valor aí [investimento] eu tenho certeza que teria dobrado no trabalho”.
Operadores do golpe sumiram
De acordo com o chapecoense, os operadores do esquema chegaram a pedir uma lista de dez pessoas com quem o casal gostaria de repartir os valores que receberiam.
“Você começa a colocar o nome das pessoas que você ama, imaginar a vida delas como ficaria, cria um mundo sem problemas, sem dificuldades. Aí de repente isso cai por terra e você vê a situação que está vivendo, acho que é só com tratamento para se recuperar”, conta o pedreiro.
Foi a esposa do trabalhador que se deu conta do golpe, por meio de matérias veiculadas na imprensa. Ela mostrou o material para o marido e os dois questionaram os operadores do esquema que os induziram ao erro, entre eles o amigo pessoal que os apresentou à operadora da região de Chapecó.
Segundo o chapecoense, após a descoberta do golpe, os suspeitos de participarem do esquema não foram mais vistos. Por meio de um membro de um grupo em um aplicativo de mensagens, o casal conheceu o delegado Marco Aurélio Sepúlveda, do Distrito Federal, a quem formalizaram a denúncia. Agora, marido e mulher tentam se reerguer após perder as últimas economias ao entregá-las aos “falsos profetas”.