‘Morte bem violenta’, diz delegado sobre adolescente morta em São Francisco do Sul

Suspeito levou um celular e R$ 1 mil. Polícia Civil investiga se caso foi de latrocínio, já que a adolescente foi espancada até a morte

Foto de Fernanda Silva

Fernanda Silva Joinville

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O que aconteceu com Kamila Cristina de Lima? A adolescente de 15 anos foi encontrada morta e teve o celular e R$ 1 mil roubados. A Polícia Civil acredita que ela tenha reagido a um assalto, cometido em sua casa, em São Francisco do Sul, no Norte de Santa Catarina, na segunda-feira (30). Durante o suposto roubo, o suspeito espancou a jovem até a morte.

Local onde ocorreu o crime que vitimou a adolescenteCaso aconteceu em São Francisco do Sul – Foto: Polícia Civil/Divulgação/ND

“Foi uma morte bem violenta. Ela apresentava várias lesões na face, na cabeça. Agora, com a chegada do laudo cadavérico, vamos er se tinham outras lesões. Pedimos todo tipo de perícia possível, até se ela não foi violentada sexualmente”, explica o delegado Fabio Estuqui.

Além das agressões, Kamila foi esfaqueada no pescoço e sofreu uma tentativa de afogamento. O corpo dela estava molhado e um colar foi encontrado no fundo de uma caixa d’água, colocada no chão, aos fundos da casa. A Polícia Civil acredita que o suspeito tenha tentado afogá-la e que ela tenha resistido à tentativa.

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Caso aconteceu em São Francisco do Sul – Foto: Polícia Civil/Divulgação/NDCaso aconteceu em São Francisco do Sul – Foto: Polícia Civil/Divulgação/ND

Quem era a adolescente

Dócil, sonhadora e companheira – Foto: Arquivo PessoalDócil, sonhadora e companheira – Foto: Arquivo Pessoal

Kamila morava com a família do namorado em São Francisco do Sul. Ela havia se mudado para a residência há cerca de um mês, com consentimento dos pais. Amigos a descreveram como uma pessoa dócil, sonhadora e companheira. Negaram que a menina tenha desavenças no bairro.

Nas redes sociais, o namorado fez uma publicação em que diz estar “sem chão” e “sem palavras para descrever sentimentos”. Também fez um pedido por justiça.

Investigação continua

No dia do crime, a garota estava sozinha em casa. O namorado e o pai dele saíram para trabalhar. A avó e o irmão do jovem foram ao centro da cidade. Quando a família voltou, um grande susto: Kamila estava com o pescoço cortado, jogada na garagem, perto da caixa d’água. Duas facas foram encontradas, sendo que uma delas estava ao lado do corpo da menina.

“Na cena do crime, a gente percebeu que o que estava revirado eram o quarto e onde ela estava caída. A dinâmica aponta que uma pessoa utilizou a própria faca da residência e que ela tenha reagido ao agressor. Há sinais de luta na casa, ou seja, ela tentou se defender”, comenta o delegado.

Segundo Estuqui, todos os moradores da casa foram ouvidos e a polícia ainda apura o que aconteceu no local, se o crime realmente foi um latrocínio ou se há outra motivação, já que a jovem foi muito machucada.

“A gente teve o cuidado para ver se ela tinha ex-namorado, alguma coisa assim, a ameaçando. Todos foram categóricos em dizer que ela não estava sofrendo nenhum tipo de ameaça”, conta.

As imagens flagradas pelas poucas câmeras de monitoramento da região ainda são analisadas. A rua onde ocorreu o crime quase não tem movimento, e para a polícia, o suspeito sabe muito bem como é a rotina da vizinhança.

“É um desafio para a polícia e as pessoas tem que entender que não basta saber quem é. Tem que provar quem é. O que vale pra nós são provas e juntamente com a Polícia Científica é isso que a gente está buscando: provas técnicas para comprar a autoria, a materialidade do crime, mas a autoria, vincular a morte ao autor que é o grande desafio da polícia”, finaliza o delegado.