A juíza responsável pelo caso da família que foi atropelada no bairro Ingleses, em Florianópolis, autorizou a transferência do motorista Dyego Sales, de 34 anos, para uma penitenciária do Distrito Federal. Ele está preso preventivamente desde janeiro deste ano, quando o atropelamento aconteceu, na penitenciária da Agronômica. A defesa das vítimas espera que a sentença saia no mês de julho.
Motorista atingiu a adolescente Rebeca Sayuri, de 15 anos, ficou presa embaixo do veículo – Foto: Arquivo PessoalA família foi atropelada no primeiro dia do ano, enquanto caminhava tranquilamente pela calçada. Os pais e o filho tiveram ferimentos leves. Já a filha, a adolescente Rebeca Sayuri, de 15 anos, ficou presa embaixo do veículo. Após o acidente, ela ficou 14 dias em coma e passou por sete cirurgias, para a retirada de órgãos afetados pelo acidente e colocação de pinos pelo corpo.
Segundo relatos da mãe da adolescente, Rebeca de Albuquerque, a jovem ficou com cicatrizes pelo corpo todo e ainda enfrenta o trauma psicológico: “Ela fraturou a bacia, clavícula, costela, os dois braços, perfurou os dois pulmões, perdeu o baço, o ovário.”
Mãe da jovem fechou salão de beleza, para poder apoiar a filha durante a recuperação – Foto: Lorenzo Dornelles/NDOs policiais militares que atenderam a ocorrência relataram que o motorista estava com forte odor etílico e fala arrastada. Dentro do carro, foram encontrados copos e um cooler com gelo. Ainda segundo informações dos policiais, Dyego Sales se negou a fazer o teste do bafômetro.
Ainda em abril, o advogado do motorista pediu à Justiça uma perícia no sistema eletrônico do veículo, uma Land Rover. O argumento usado é de que este modelo pode apresentar falhas no sistema de suspensão pneumática que faz o motorista perder o controle do veículo.
Em nota, o advogado de Sales disse que a defesa não considera que houve um crime no caso do atropelamento da família de Rebeca e, sim, um acidente ocasionado por falha mecânica do veículo.
A defesa do motorista afirmou que o laudo pericial demonstrou não haver excesso de velocidade, que não há prova de embriaguez e que a culpada pelo acidente é a montadora, que não convocou recall e nem informou os proprietários deste modelo e ano sobre os riscos a que estavam submetidos.
Acidente na rua das Gaivotas, nos Ingleses, e deixou uma adolescente gravemente ferida – Foto: Corpo de Bombeiros Militar/divulgação/NDO advogado da família que foi atropelada, Tiago Santos de Souza, contestou estes argumentos. “O que tivemos em toda a instrução criminal foi a constatação da embriaguez ao volante, por constatação dos policiais militares, que têm fé pública. A constatação da alta velocidade numa via de 40 km/h. (…) O carro não anda sozinho. Ele necessita de uma pessoa. O motorista conduziu embriagado esse veículo, de forma demasiada, imprudente, irresponsável e queremos a condenação”, disse ele.
O advogado da família queria que o motorista fosse a júri popular por tentativa de homicídio com dolo eventual. O homem, de 34 anos, já foi denunciado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).
“Esperamos que em 30 a 40 dias saia a sentença. Esperamos que ele pegue uma pena de seis a oito anos, como forma educativa, para que isso não aconteça mais com outras pessoas. Felizmente, a Rebeca tá viva, mas foi um acaso de Deus”, acrescentou o advogado da família.
Para dar o suporte necessário à recuperação da filha, a mãe fechou o salão de beleza e a renda da família caiu pela metade. Além de todo o sofrimento causado pelo atropelamento, ela reclama da burocracia exigida das vítimas.
“Chega a ser revoltante, na verdade. Tem noites que eu perco o sono, pensando em como a vítima tem que provar tudo isso, sendo que tem filmagem, tem foto… e a gente tem que estar o tempo todo correndo atrás de provar isso, aquilo, para poder correr atrás de Justiça”, desabafou a mãe.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.