MP analisa câmeras da PM em caso de médico que causou tumulto ao tentar ‘gravar pornô’ em SC

Médico responde a inquérito em liberdade mediante uso de tornozeleira eletrônica; caso aconteceu no dia 7 de setembro na Lagoa da Conceição, em Florianópolis

Redação ND Florianópolis

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O caso do médico que causou tumulto ao tentar gravar um vídeo pornográfico com uma funcionária de um posto de combustíveis em Florianópolis ainda não obteve um desfecho. Na última terça-feira (11), o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) pediu novas diligências com a análise de câmeras de segurança da Polícia Militar.

MP vai analisar câmeras de posto onde médico causou tumulto ao tentar ‘gravar pornô’ em Florianópolis  – Foto: Divulgação/NDMP vai analisar câmeras de posto onde médico causou tumulto ao tentar ‘gravar pornô’ em Florianópolis  – Foto: Divulgação/ND

A PM tem prazo de cinco dias para cumprir o pedido e fornecer as imagens, a partir da data de intimação. O médico-cirurgião Fernando Roberto Ferreira Manna Moraes de 43 anos chegou a ser preso, mas foi liberado mediante uso de tornozeleira eletrônica pelo prazo de 90 dias, após audiência de custódia.

O acusado, que teve a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa por dois meses, responde ao inquérito em liberdade. O caso aconteceu no dia 7 de setembro, na Lagoa da Conceição, região Leste da Ilha de Santa Catarina. O médico trabalha no Estado de São Paulo.

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O MPSC, agora, decidirá se oferece denúncia contra Fernando Moraes ou se arquiva o caso. A defesa aguarda a manifestação do órgão.

O que disse a defesa

Em nota assinada pelos advogados Márcia de Moura Irigonhê, Mônica Letícia Medina de Carvalho e Raí Fantin Dietrich, a defesa afirmou que “o médico enfrenta problemas de saúde que, aliados ao uso de álcool, desencadearam ações pelas quais não tinha capacidade de responder no momento. O alegado será suficientemente provado a tempo e modo”. (veja íntegra abaixo).

Em depoimento à polícia, o médico disse que havia consumido cocaína e bebidas alcoólicas antes do ocorrido. Também declarou, segundo a Polícia Civil, que ficou pelado no posto de gasolina “porque queria ser visto”. Disse ainda que recebeu uma paulada na cabeça, mas que não lembra quem são as pessoas que o agrediram.

A polícia informou ainda que o suspeito tentou atropelar funcionários. A defesa, no entanto, rebateu essa informação. “Por ora, a defesa já comprovou a inexistência de intento homicida, o que foi inclusive endossado pelo Juízo ao conceder a liberdade provisória ao Fernando”.

Nota da defesa na íntegra:

No tocante aos fatos imputados ao Dr. Fernando Roberto Ferreira Manna Moraes, a defesa ressalta que o médico enfrenta problemas de saúde que, aliados ao uso de álcool, desencadearam ações pelas quais não tinha capacidade de responder no momento. O alegado será suficientemente provado a tempo e modo.

Por ora, a defesa já comprovou a inexistência de intento homicida, o que foi inclusive endossado pelo Juízo ao conceder a liberdade provisória ao Fernando.

Aguardamos o deslinde do procedimento e a eventual oferta de denúncia pelo representante do Ministério Público para, conhecedores da delimitação da acusação que será feita, podermos nos manifestar com maior propriedade sobre todos os fatos.

Relembre o caso

Um funcionário do posto de combustíveis contou que a confusão iniciou por volta das 22h na véspera do feriado da Independência, quando Fernando tirou as roupas e andou nu em direção ao banheiro do posto.

Lá, o médico teria chamado uma das funcionárias para que entrasse com ele no lavabo, durante a troca de turnos do caixa do estabelecimento. “Ela a chamou três vezes pedindo: ‘venha até aqui, venha até aqui’. Não deixei ela ir, porque ele estava pelado. Ele Insistiu que queria falar com ela, dizendo que tinha um fetiche. Foi quando corri, fechei a porta do posto até a polícia chegar”, contou o funcionário José Henrique.

Ainda no local, a Polícia Militar foi chamada pela primeira vez e registrou um termo circunstanciado por ato obsceno. O médico foi liberado em seguida.

Uma hora depois, segundo a investigação, o homem voltou ao local para pedir desculpas. Nesse momento, testemunhas que estavam do outro lado da avenida e acompanhavam a situação começaram a agredir o suspeito, que subiu em um veículo e voltou a ficar pelado.

O médico conseguiu entrar no carro dele, uma Tracker, que estava no posto de gasolina, e teria tentado atropelar um dos frentistas do estabelecimento. Uma motocicleta foi atingida. Imagens mostram que o homem invade a contramão e quase colide contra um motoqueiro que seguia na via.

Vídeo pornô

Pessoas que estavam na loja de conveniência do posto de combustíveis gravaram um vídeo onde o homem admite ter convidado a funcionária para fazer as imagens pornográficas no banheiro do estabelecimento. O objetivo, segundo ele, era causar ciúmes na namorada.

A história que teria sido narrada pelo médico é a de que ele teria brigado com a namorada e ficado com “ciúmes” quando, depois da briga, viu que ela estava em uma casa de festa com uma “roupa curta”.

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