Aline Rodrigues Camargo Pereira, 37 anos, assassinada na tarde desta quarta-feira (8) na Avenida Beira-Mar de São José, havia mudado o local de trabalho há pouco mais de um mês para evitar o contato com o ex-marido. A informação foi confirmada pela Comcap – autarquia da prefeitura onde ela era funcionária.
No último Carnaval, Aline esteve entre o grupo de empregados da Comcap que participou de ação de sensibilização na Passarela Nego Quirido. (Aline está à esquerda, de cabelo comprido, segurando a faixa) – Cristiano Andujar/PMF/NDO ex-marido Luciano Pereira, 43, foi preso em flagrante. Até as 17h30, ele estava detido na Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) prestando depoimento. A mulher foi morta com vários golpes de faca. O Samu foi acionado e tentou reanimá-la, mas Aline não teve chance de sobrevivência diante dos graves ferimentos e morreu no local.
Segundo a Comcap, o pedido de mudança de local de trabalho foi atendido imediatamente. Ela havia sido transferida do Norte da Ilha para Coqueiros e havia sido orientada a buscar medida protetiva. “A autarquia e todos os empregados estão consternados com a notícia da sua morte”, divulgou a companhia por meio de nota.
SeguirA delegada Dpcami, Juliana Oss Dallagnol, informou que a vítima havia registrado boletim de ocorrência em abril por ameaça. Na ocasião, Aline fez o relato, mas não teria manifestado o interesse de representar criminalmente.
O crime de ameaça é uma ação penal pública condicionada, ou seja, depende de representação do denunciante. Mesmo assim, a delegada afirma que o procedimento foi instaurado.
O ND confirmou ainda que Aline havia conseguido medida protetiva na Justiça. A medida que estava em vigor desde o início de abril determinou o afastamento, proibição de contato e obrigação de ele comparecer na delegacia para atendimento psicológico.
A mulher havia saído de casa em janeiro por conta das ameaças de morte. Aline deixou um filho de 11 anos, que era fruto do relacionamento com Luciano.
Feminicídios crescem 109%
Considerando os dados da Secretaria de Segurança Pública, cuja atualização foi feita às 8h de segunda-feira (6), Aline seria a 24ª vítima de feminicídio em Santa Catarina, considerando o caso de Daniela Almeida Pereira, de 36 anos, que estava desaparecida e cujo corpo foi encontrado na noite desta quarta-feira (8), em Florianópolis. O principal suspeito é o companheiro dela.
O aumento de casos entre 1º de janeiro e 6 de maio chega a 118%, se comparado com o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 11 feminicídios.
O número, no entanto, pode ser ainda maior se o assassinato de outra mulher morta em Araranguá, no Sul do Estado, também for considerado feminicídio. O corpo da mulher foi encontrado sem roupa e em estado avançado de decomposição na terça-feira (7).
A Lei de Feminicídio, criada em 2015 para dar luz aos crimes cometidos contra mulheres por razões da condição do sexo feminino ou em contexto de violência doméstica, é um instrumento qualificador do homicídio simples que aumenta a pena de seis a 12 anos para 12 a 30 anos de prisão.
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