Um relacionamento de três anos por pouco não acabou em morte após uma agressão brutal em Blumenau, no Vale do Itajaí. O fato aconteceu há cerca de um mês, e foi revelado com exclusividade à NDTV, pela diarista Edemari Alves Coelho. A mulher resolveu romper o silêncio e desabafar sobre os momentos de terror que viveu.
Edemari Alves Coelho, de 49 anos, fala sobre o caso brutal de violência doméstica que sofreu em Blumenau – Foto: Adriano Raulino/NDTVA moradora do bairro Salto do Norte, de 49 anos de idade, conta que escapou da morte após o término do seu período de convivência com o ex-companheiro, um homem de 45 anos de idade, que havia conhecido pouco tempo antes de começar a morar junto com ele.
O suspeito de agredir a mulher com requintes de crueldade foi preso no dia 7 de junho e aguarda desde então, no Presídio Regional de Blumenau, por uma decisão final da Justiça.
SeguirComo tudo aconteceu
Segundo a vítima, era noite de 3 de junho de 2023, um sábado, por volta das 22h30, quando ela foi surpreendida na casa onde morava com o ex-namorado no bairro Escola Agrícola. Ambos já haviam brigado outras vezes e o homem não aceitava o término do relacionamento.
Porém, naquela noite o homem estava fora de casa, até o momento em que Edemari foi surpreendida com o arrombamento de uma das janelas do imóvel, que foi invadido pelo homem, visivelmente descontrolado.
Ameaçando a mulher com uma faca em mãos, ele exigia da vítima o valor de R$ 1,5 mil que seria, segundo o agressor, o valor pago por ele como um auxílio no custeio das despesas domésticas.
Indefesa, a mulher teria dito que não conseguiria pagar a quantia, já que havia trocado a senha do aplicativo de banco instalado no seu celular. Nisso, o agressor ordenou que a mulher lhe entregasse uma folha de cheque em branco, mas ela disse que não tinha esse tipo de documento no local.
Inconformado, o ex-companheiro da vítima iniciou as agressões, com facadas na região do pescoço e também com golpes de uma carcaça de botijão de gás que havia na casa. Ao todo, a mulher sofreu 12 facadas e teve sérias lesões pelos golpes que sofreu. Ela conta que só sobreviveu “por um verdadeiro milagre”.
“Era para estar morta e enterrada. E ele voltou à cena do crime (…), 10 horas da noite c0meçou o ataque, por volta da meia-noite e meia eu perdi os sentidos, com ele me filmando e tirando fotos, pelo que eu escutava. Aí às 2 horas da madrugada eu acordei, mas daí ele já não estava mais, botei minhas pernas no chão, desmaiei. Às 4 horas da manhã de novo e só às 7h da manhã consegui levantar e aí tive que pular a cerca”, disse a vítima em entrevista à NDTV.
Edemari conta que graças ao pedido de ajuda feito aos vizinhos do local onde morava, no domingo de manhã, ela conseguiu ser levada ao hospital. Após atendimento médico, ela recebeu alta com uma tala no punho esquerdo e curativos pelo corpo, ficando impedida de voltar a trabalhar desde então e ficando sem renda.
Momento traumático durante a agressão em Blumenau
Segundo Edimari, um dos momentos mais tristes da agressão que sofreu envolveu o cão de estimação, que cuidava da casa. Ela conta que o agressor levou ela para fora da moradia e lhe colocou frente a frente com o animal.
Em entrevista à NDTV, a vítima chorou ao relembrar da cena humilhante que foi ouvir seu ex-companheiro atiçando o cão para atacá-la. O agressor chamava o animal pelo nome e mandava ele morder o rosto da mulher ensanguentada, o que não aconteceu.
Mulher mudou de endereço e agressor foi preso
Após o episódio, ela deixou de morar com o seu ex-companheiro e recebe ajuda de familiares. Com várias cicatrizes pelo corpo, Edemari também revela que emagreceu. Ela teve diversos dentes quebrados após a agressão, tendo dificuldades de se alimentar.
Conforme informações obtidas pela NDTV junto a Polícia Civil, o agressor é natural do estado da Bahia e planejava retornar à sua terra natal, mas não contava que seria denunciado e preso quatro dias depois do crime, antes de consumar uma possível fuga.
No boletim de ocorrência registrado pela vítima contra o ex-companheiro, Edemari ainda o acusa de furtar o celular dela, um Samsung Galaxy A14, além de R$ 50 em dinheiro que havia na casa. O suspeito teria praticado a ação enquanto a vítima estava desacordada e ela conta que não lembra de ter visto o agressor indo embora de casa.
A reportagem da NDTV procurou a defesa do acusado, que não quis se manifestar. O processo está na fase das audiências de instrução, já que o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) ofereceu denúncia contra o envolvido há cerca de 20 dias. Não há previsão para o julgamento do homem acusado de tentar matar Edemari Alves Coelho.