A Polícia Militar revelou mais detalhes sobre a morte uma mulher de 28 anos no HU (Hospital Universitário), em Florianópolis, nesta segunda-feira (8). Ela teve as costelas quebradas depois de ser brutalmente agredida pelo ex-companheiro.
O caso ocorreu no Morro do Macaco, bairro da Agronômica, e foi registrado pela PM como feminicídio. No entanto, a Polícia Civil está investigando e diz que ainda não há certeza sobre o tipo de crime.
Polícia Civil investiga caso de feminicídio em Florianópolis – Foto: Polícia Civil/Divulgação/NDSegundo o comandante do 4º BPM, Dhiogo Cidral, a vítima teria sido mantida em cárcere privado até conseguir escapar e ser encaminhada ao hospital.
SeguirEm entrevista concedida ao Balanço Geral, da NDTV, Cidral informou que a Polícia Militar foi acionada nesta segunda (8) para atender uma denúncia de cárcere privado, em que uma mulher estaria sob guarda de um homem, na Agronômica.
Além disso, relatos afirmam que a vítima teria resistido em buscar atendimento médico, não quis denunciar o agressor e não procurou ajuda em um hospital.
Detalhes da ocorrência
Vizinhos que moravam perto da mulher de 28 anos perceberam que ela estava muito machucada, e o atual companheiro da vítima foi quem ligou para a polícia.
“A PM chegou no local, constatou realmente que existia uma mulher ferida, mas ela não teria sido agredida por essa pessoa que estava dando guarda, ela teria sido agredida por um ex-companheiro e teria fugido e se abrigado nesse local, há cinco dias”, revela o comandante.
De acordo com o tenente-coronel, a corporação realizou o atendimento necessário na vítima, que estava com fortes dores e dificuldades para respirar. Ela foi encaminhada ao Hospital Universitário por volta das 11h15 desta segunda-feira, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.
“Ao que tudo indica ela morreu em decorrência desses ferimentos que teve há cinco dias. Todo esse material agora vai ser encaminhado à Polícia Civil para que tome as devidas providências de investigação sobre essa tragédia”, conclui Cidral.
Investigação segue sob sigilo
A identidade da vítima não foi revelada pelo IGP (Instituto Geral de Perícias), tampouco pela investigação da Polícia Civil.
“Não há uma linha de investigação apenas. Então divulgar qualquer coisa pode atrapalhar o desfecho”, reforça o delegado Gustavo Kremer, da DPCAMI (Delegacia de Polícia de Proteção a Criança, Adolescente, Mulher e Idoso).
Ainda conforme as informações do delegado, algumas hipóteses estão sendo apuradas e não se pode afirmar o que ocorreu, mas o feminicídio não está descartado.
“Ela estava em condição de rua, morando com outras pessoas. Diferente de outros casos já investigados, neste para ser feita tal afirmação e imputação a um suspeito será necessária uma série de diligências”, diz.
Casos de feminicídio na Grande Florianópolis
Uma tentativa de feminicídio foi registrada na segunda-feira (8) no Norte da Ilha, no bairro Rio Vermelho.
Uma mulher de 27 anos foi surpreendida pelo ex-companheiro, um homem de 34 anos, que já tem passagem policial por estupro. Ele invadiu a casa onde ela estava e com uma faca desferiu vários golpes na vítima.
Por conta da gritaria e confusão no local, a Polícia Militar foi acionada. A mulher recebeu os primeiros socorros e foi encaminhada para o hospital. Já o homem foi localizado, no bairro Rio Vermelho, onde foi preso em flagrante.
Outro caso de feminicídio ocorreu também na segunda, à noite, em Santo Amaro da Imperatriz.
Uma mulher de 48 anos morreu depois de ser brutalmente espancada pelo seu ex-companheiro, um homem de 50 anos. Ele está foragido e até o início da tarde desta terça-feira (9) ainda não havia sido encontrado.
Segundo a delegada Débora Jardim, informações preliminares indicam que a mulher foi encontrada por familiares ainda com vida e que teria morrido no hospital.
Ainda de acordo com a delegada, a mulher e o ex-companheiro moravam no mesmo terreno, porém, em casas separadas, no bairro Sul do Rio. Não havia sinais de violência na casa.
A vítima registrou boletins de ocorrência por violência doméstica contra o homem em 2018. Havia, ainda, uma medida protetiva que data do mesmo ano. A Polícia Civil investiga se a medida foi revogada.