Mulher que congelou marido em SC revela tempo que levou para colocá-lo no freezer

Claudia Tavares Hoeckler prestou depoimento à Polícia Civil nesta terça-feira (22), em Joaçaba

Foto de Caroline Figueiredo

Caroline Figueiredo Chapecó

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Claudia Tavares Hoeckler, de 40 anos, levou cerca de duas horas para colocar o corpo do marido Valdemir Hoeckler, de 52 anos, encontrado no freezer de casa, em Lacerdópolis, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A informação foi revelada ao delegado de Gilmar Bonamigo, responsável pelo caso.

Claudia chorou na entrevista e disse estar “leve” – Foto: Reprodução/NDClaudia chorou na entrevista e disse estar “leve” – Foto: Reprodução/ND

A viúva prestou depoimento à Polícia Civil na manhã desta terça-feira (22), na delegacia de Polícia Civil de Joaçaba. “Ela contou detalhes de como matou Valdemir e disse que tomou a decisão na segunda-feira pela manhã após informar que precisava participar de um encontro com grupo de professoras na cidade de Abdon Batista, onde passaria a noite de segunda e terça-feira. Ele não teria aceitado e a ameaçou de morte”, conta o delegado.

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A mulher ainda disse ao delegado que não acreditava no aparato do Estado para lhe dar proteção, assim como não acreditava na polícia, nas medidas judiciais e na efetividade da Lei Maria da Penha. “Ela achava que a qualquer momento seria morta e decidiu matá-lo”, acrescenta o delegado.

Detalhes do crime

De acordo com Bonamigo, Claudia disse que deu três remédios ao marido e ele entrou em sono profundo. Enquanto ele dormia, amarrou os pés e as mãos e com uma terceira corda prendeu as duas cordas para que ele não pudesse reagir.

“Ela disse que colocou uma sacola na cabeça e uma câmara de pneu ao redor do pescoço, então, passou a fazer pressão no plástico contra a boca e o nariz para asfixiá-lo. Ele se debateu, conseguiu se desvencilhar de uma mão, mas ela, como uma mulher forte que lida com roça e gado de leite, conseguiu segurar e fazer pressão suficiente para o levar à morte”, acrescenta o delegado.

Conforme depoimento à Polícia Civil, a mulher teria dito que não sabia o que fazer e decidiu ocultar o corpo dentro do freezer. “Ele tinha cerca de 100 kg e ela tentou de diversas formas erguer o corpo. Primeiro, usou cobertores, depois um tonel e, por fim, uma cadeira, onde conseguiu ajeitá-lo e depois colocá-lo no freezer, onde o escondeu debaixo de outras mercadorias”.

Após cometer o crime, Claudia se arrumou e foi para o encontro de professoras. “Ela não conseguiu suportar as pressões psicológicas das ameaças do marido, mas conseguiu suportar durante cinco dias presença de várias pessoas da comunidade, policiais e bombeiros na casa dela fazendo buscas pelo marido nas redondezas. Ela não conseguiu revelar isso às pessoas que estavam ali porque temia ser presa”, acrescenta o delegado.

De acordo com Bonamigo, a Polícia Civil aguarda os laudos do local do crime, exames complementares, oitivas de novas testemunhas e quebra de sigilo solicitada, para concluir o inquérito, provavelmente no prazo de 10 dias e enviá-lo à apreciação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

Entrevista

Na segunda-feira (21), em entrevista ao canal no YouTube do roteirista Roberto Ribeiro, ex-apresentador do Programa Investigação Criminal, a mulher confessou o crime, deu detalhes de como matou o marido, bem como da vida do casal. Ela cita que vivia uma pressão psicológica constante no casamento.

“Ele não me deixava fazer nada, simplesmente eu não tinha vida própria. Eu não podia sair com as amigas. Eu ia ao salão fazer o cabelo e tinha que sair com o cabelo molhado, porque ele estava me enchendo o saco por estar demorando. Tinha que correr contra o tempo, a minha vida sempre foi sob pressão”, afirmou Claudia.

Corpo de Valdemir foi encontrado em freezer da própria casa. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDCorpo de Valdemir foi encontrado em freezer da própria casa. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Ainda de acordo com a mulher, Valdemir exigia que ela mandasse fotos e fizesse videochamada para confirmar onde estava quando tinha compromissos do trabalho à noite. “Não podia me arrumar para essas ocasiões, porque não eu ia ta me arrumando para outro”.

Os gatilhos para o crime

Claudia diz que não planejou o crime, apesar de estar descontente com as constantes perseguições do marido e das diárias agressões físicas e morais. Dias antes, segundo ela, o marido apareceu repentinamente em uma confraternização com colegas professoras em uma pizzaria, o que lhe deixou incomodada.

“Ele tinha me dito que ia ficar em casa, fiz uma chamada de vídeo alguns momentos antes e, de repente, ele apareceu lá na pizzaria. Fiquei bem chateada, ficou como se eu não tivesse contado a ele. Mostrei todos os meus passos para ele, fui relatando tudo”.

Prisão temporária

Justiça de Santa Catarina determinou, na segunda-feira (21), a prisão temporária de Claudia. O pedido de prisão temporária foi decretado pela juíza Flávia Carneiro Paris, da comarca de Capinzal, que, em regime de plantão, também autorizou a quebra do sigilo telefônico e o acesso aos dados de Claudia.

Em nota à imprensa, a Justiça de SC disse que o crime apurado se trata, em princípio, de homicídio qualificado por meio que dificultou a defesa do homem, já que ele foi encontrado com uma lesão na nuca. A esposa comunicou o desaparecimento do marido no dia 15 de novembro.

“A segregação temporária da representada, neste momento, possibilitará também a melhor elucidação dos fatos, pois impedirá que a representada crie embaraços para a apuração da prática criminosa, especialmente para esclarecer os motivos e as circunstâncias do crime e eventual participação de terceiros”, discorre a magistrada na decisão.