Mulher torturada pelo namorado chora ao lembrar das agressões em SC: ‘Não me mata’

Homem agrediu, mordeu e queimou a vítima com cigarro, as agressões duraram quatro horas

Foto de Fernanda Silva

Fernanda Silva Joinville

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“Não me mata”, pedia Eliana* durante as quatro horas em que foi agredida e torturada pelo namorado durante o último sábado (18) em São Francisco do Sul, no Norte catarinense. O homem agrediu, mordeu e queimou a vítima com cigarro.

Eliana* vai realizar o exame de corpo delito nesta quarta-feira (22) – Foto: Marcelo Tomazelli/NDEliana* vai realizar o exame de corpo delito nesta quarta-feira (22) – Foto: Marcelo Tomazelli/ND

Emocionada, Eliana contou ao Portal ND+ que esta foi a terceira vez que sofreu agressões em um ano e meio de namoro. Os últimos oito meses, porém, teriam sido os piores e os comportamentos abusivos eram mais constantes, principalmente o ciúme.

Foi isso, inclusive, o ciúmes, que teria motivado as agressões e torturas praticadas no último sábado, em plena festa de carnaval. A vítima tinha dançado um amigo da família, que é gay, e a atitude deixou o namorado furioso a ponto de quase agredir o colega.

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Eliana conta que o companheiro tinha crises de ciúmes e a ameaçava constantemente. “Dizia que se eu traísse ia me matar”, conta. Ela era, inclusive, proibida de usar as redes sociais e, após a publicação de uma foto na internet no sábado, as agressões começaram.

Por volta das 5h, o homem a agrediu dentro do carro do casal. “Estava de coque, pegou meu cabelo e bateu minha cabeça contra o painel [do veículo]”, relata.

As agressões continuaram na casa onde ele morava com a companheira. Mordidas, queimaduras de cigarros, tapas e até tentativas de sufocamento. “Se ele fosse me matar, ia me matar sufocada”, conta.

Durante as agressões físicas, o homem também ameaçou a namorada. Eliana lembrar dos momentos de angústia e terror em meio a lágrimas. “Eu pedia para não me matar. Pediu para minha vó [falecida] pedir a Deus. Ele disse que eu ia me encontrar com ela”, lembra emicionada.

Depois de passar quatro horas sendo agredida e pedindo para que o namorado parasse, ele arrumou as coisas para ir embora. Sem gasolina, a vítima fez um Pix para o namorado, que deixou a casa para abastecer.

Após alguns minutos, o agressor voltou. “Eu estava sentada em um canto do sofá, ele sentou no outro e disse ‘amor, olha o que vc me fez fazer'”. Eliana conta que o namorado costumava a culpar pelas agressões e ela, por sua vez, acabava se sentindo culpada e não conseguia deixá-lo.

Desta vez, porém, como as agressões foram piores, Eliana teve coragem de denunciá-lo. Foi durante a ida dele ao posto de combustível que ela ligou para o irmão e pediu que viesse buscá-la. “Já começa a perder o medo, já estava apanhando mesmo”, lembra sobre ter a coragem para pedir ajuda. “Só queria sair de lá.”

O casal estava em casa quando o irmão chegou. O namorado tentou negar as agressões e culpar a vítima. Com medo, ela só pediu ao familiar que a tirasse da casa. Em seguida, o agressor fugiu.

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    Marca de mordida no pescoço da vítima - Mulher torturada pelo namorado chora ao lembrar das agressões em SC ‘Não me mata’ (1)
    Marca de mordida no pescoço da vítima - Mulher torturada pelo namorado chora ao lembrar das agressões em SC ‘Não me mata’ (1)
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    Ferimentos seguem bastante evidentes mesmo após três dias desde as agressões - Marcelo Tomazelli/ND
    Ferimentos seguem bastante evidentes mesmo após três dias desde as agressões - Marcelo Tomazelli/ND
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    Ferimentos seguem bastante evidentes mesmo após três dias desde as agressões - Marcelo Tomazelli/ND
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    Ferimentos seguem bastante evidentes mesmo após três dias desde as agressões - Marcelo Tomazelli/ND
    Ferimentos seguem bastante evidentes mesmo após três dias desde as agressões - Marcelo Tomazelli/ND

Justiça

Após o resgate, Eliana foi com o irmão para o Hospital e Maternidade Municipal Nossa Senhora da Graça e, depois, ao Hospital São José, em Joinville.

A vítima relata que foi muito bem atendida nas duas unidades e aproveitou para agradecer as equipes, inclusive os policiais. “Muito acolhedores. As vítimas precisam saber que vão ser acolhidas”, relata.

Agora, Eliana espera que o até então namorado seja preso. “Isso evita que ele venha até mim”, diz. A vítima teme que o acusado cumpra com as ameaças de morte.

Eliana relata que o namorado já tinha comportamentos agressivos, era ciumento e a ameaçava. Das outras vezes que ocorreram as agressões, o homem tentou esconder a vítima, mantendo-a em casa. Por isso, acredita que ele possa tentar agredi-la novamente.

Segundo a Polícia Militar, o homem está sendo acusado por tentativa de feminicídio e está sendo procurado.

*O nome foi modificado a pedido da vítima.