Uma noite de celebração terminou em ocorrência policial na última quinta-feira (22) após uma jovem trans ter sofrido uma agressão durante uma formatura na casa de eventos Rancho Timbé, de Joinville, no Norte catarinense. Laura*, de 19 anos, alega que a confusão teve início quando a jovem usou o banheiro feminino do estabelecimento.
Laura teve ferimentos no joelho e cotovelo – Foto: Arquivo Pessoal/ND“Elas foram tentar usar o banheiro feminino e um cara barrou minha amiga trans, dizendo que ela não poderia usar o banheiro, invalidando seu gênero e proferindo comentários transfóbicos. Foi a partir desse momento que a confusão começou”, explica João*, que também estava na festa e presenciou a expulsão.
“Ficamos indignados que nossa amiga não poderia usar o banheiro feminino, sendo um direito dela, e não deixaríamos ela usar o masculino pois seria um desrespeito à ela e perigoso também”, explica o jovem.
SeguirAinda de acordo com o rapaz, uma outra menina trans que acompanhava a festa decidiu usar o banheiro masculino, afim de evitar confusões. Neste momento, um homem teria se alterado, ficado nervoso e desrespeitado os jovens. Ao ver que estava sendo filmado, ele teria arrancado o celular de uma das meninas.
Ao tentar voltar para a mesa para pegar os pertences e ir embora, outras pessoas teria começado uma discussão com os jovens e, em seguida, uma das meninas foi agredida. Neste momento, o grupo de jovens foi retirado da festa pelos seguranças à força.
“Agora você vai se resolver comigo”, essa teria sido uma das frases ditas por um dos seguranças para Laura. “Para me defender, minha amiga deu um soco na cara dele e ele deu um soco na cara dela de volta. Mas ele tinha uns dois metros, bem maior do que eu”, afirma a jovem de 19 anos.
Jovem recebeu um soco no rosto após também tentar socar um segurança. Jovens alegam que homem era muito maior e mais forte do que elas – Foto: Arquivo Pessoal/NDFora do estabelecimento, além de serem feridos durante a expulsão da casa de festa, o grupo continuou sendo ameaçado pelo mesmo homem que havia arrancado o celular das mãos de uma das meninas.
A Polícia Militar foi acionada e registrou um boletim de ocorrência. Uma mulher que também estava no local acolheu o grupo e deu carona para que os jovens saíssem do local.
Investigação
Na sexta-feira (23), o grupo foi até a Delegacia de Polícia para realizar exame de corpo delito. A Polícia Civil deve investigar a ocorrência e, caso seja apurado que houve crime, os responsáveis poderão responder pelo crime de homofobia ou transfobia tipificado na Lei do Racismo 7.716/1989.
Jovem sofreu arranhões após ser tirada à força de festa – Foto: Arquivo Pessoal/NDEmpresa se manifestou nas redes sociais
O portal ND+ procurou o Rancho Timbé pelo telefone e por redes sociais, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.
Nas redes sociais, publicou uma nota em que afirma que não compactua com ações de discriminação e que todas as suas atividades são realizadas para atender a todos, respeitando a legislação. Veja nota completa:
Ver essa foto no Instagram
*Os nomes foram alterados na reportagem para não identificar as vítimas.