Após ser pega ao tentar raptar um bebê recém-nascido do Hospital do Trabalhador, na noite de segunda-feira (12), em Curitiba, no Paraná, a jovem de 23 anos prestou depoimento à Polícia Civil. A mulher, identificada como Talita Meireles, contou aos prantos como entrou no hospital. As informações são do portal RIC Mais.
Jovem prestou depoimento à Polícia Civil. – Foto: Reprodução/Polícia CivilA jovem informou em seu depoimento que recentemente sofreu um aborto espontâneo e não queria contar para a família. Ela contou, ainda, que se casou em agosto de 2020 e, no fim de janeiro deste ano, descobriu que estava grávida, o que gerou muita expectativa na família.
O aborto espontâneo teria ocorrido no dia 27 de junho, mas a perda não foi contada aos pais e ao marido que, de acordo com ela, estava viajando à trabalho na época.
Seguir“Eu fui no postinho porque eu estava sentindo dores, aí eles me encaminharam para o hospital [onde ela teria descoberto que o bebê havia morrido no útero e fez uma raspagem]”. Ao ser perguntada sobre não ter ligado para que alguém a acompanhasse no procedimento, a mulher disse que ‘não tinha ninguém’. Eu não queria contar que eu tinha perdido o meu filho”, relatou.
Como tudo aconteceu
Nesta segunda-feira (12), a jovem foi até o Centro de Curitiba para pagar contas, esteve no shopping e foi até o Hospital do Trabalhador, onde entrou normalmente, pela porta principal do Pronto Atendimento. A mulher afirmou que era “sozinha”.
“Meu pai ficou com sequelas da Covid, ele está internado, minha mãe está com ele, eu não tenho ninguém perto de mim que eu possa contar”, disse Talita.
Porém, o marido da suspeita teria dito à polícia que a informação era mentira. Ele informou que o pai de sua esposa não estava internado e sim em casa, junto com a mãe da jovem.
“Eu não sei o que deu na minha cabeça para entrar no hospital, eu entrei, aí comecei a olhar os nenês, começou a me dar um negócio na cabeça. Eu não sei porque eu fiz isso. Eu entrei no vestiário e tinha uma roupa jogada em cima do armário, aí eu peguei e coloquei. Daí eu não sei o que aconteceu comigo, eu fui olhar as crianças, eu comecei a olhar, aí eu queria pegar o nenê no colo e quando eu vi, já aconteceu. Eu não queria fazer nenhuma maldade, não queria causar nada”, relatou a mulher.
O delegado perguntou o que ela faria ao chegar com o bebê raptado em casa. A mulher argumentou que iria contar que o filho havia nascido. “Eu ia dizer que nasceu, uma coisa assim. Eu não sei, na verdade. Eu só fiquei muito desesperada. Eu não sei o que passou na minha cabeça de fazer esse negócio”, explicou a jovem.
Conforme a polícia, apesar de negar ter planejado o rapto, Talita levava na bolsa pelo menos cinco conjuntos de roupinhas de bebê e uma mamadeira. A jovem disse que “sempre levava” na bolsa as coisas da criança e que, em casa, estava com a bolsa completa da maternidade.
O marido de Talita contou para a polícia que a jovem nunca fez nada de errado e ficou muito surpreso ao saber do crime. “Ela nunca fez nada de errado na vida dela, ela nunca bebeu, nunca fumou, nunca usou drogas, viveu a vida inteira dentro da igreja, os pais dela são cristãos desde sempre, eu realmente não consigo entender porque isso aconteceu”, desabafou ele.
O rapto
A mulher chegou até a maternidade, vestiu a roupa de uma enfermeira e foi até o quarto de uma mãe que deu à luz recentemente. No entanto, um vigilante desconfiou da ação e barrou a mulher com o bebê na portaria.
Caso aconteceu em Curitiba, no Paraná – Foto: Paulo Fischer/ RIC Record TV/NDA PM (Polícia Militar) foi chamada e abordou a jovem, que estava com uma bolsa com produtos para bebê, como fraldas, roupas e mamadeira. “Ela alegou que pegaria a criança para fazer um exame, a mãe liberou, e na tentativa dela sair do hospital um vigilante foi mais esperto e deteve ela na portaria”, contou o sargento Baura.
O recém-nascido foi levado novamente até a mãe que permanecia internada. Já a falsa enfermeira foi detida e encaminhada à delegacia. Ao delegado da Polícia Civil, Marco Antônio Goes, a mulher revelou que tentou sequestrar o bebê, pois, havia recentemente sofrido um aborto. Como a chegada da criança gerou grande expectativa na família, ela resolveu tomar a atitude.
O que diz o hospital
O Complexo Hospitalar do Trabalhador emitiu uma nota nesta terça-feira (13) sobre a tentativa de sequestro. De acordo com a instituição, em 27 anos de existência esta foi a primeira ocorrência desta natureza e o crime foi identificado graças ao protocolo de segurança da unidade.
Veja a nota na íntegra:
“Em 12/07/2021 perto das 18h00min, foi identificado pela segurança do Hospital, no controle do acesso da maternidade, uma mulher com um bebê de colo tentando sair da edificação sem autorização. Conforme protocolo de conferência de documentos e pulseiras de identificação da mãe e do bebê, neste caso não havia a pulseira na suposta mãe e sim apenas na criança. Imediatamente a mulher foi indagada sobre a falta da pulseira e solicitado seus documentos, os quais não foram apresentados. Na sequência esta mulher passou a fornecer várias versões sobre o motivo de sua presença no Hospital, sendo que nenhuma se mostrou verdadeira. Neste momento, o serviço de segurança do Hospital, comunicou a autoridade policial para conduzir a mulher à delegacia e prontamente devolvida a criança a sua verdadeira mãe. Reiteramos que os procedimentos de segurança adotados no Hospital foram efetivos, bloqueando a tentativa deste crime. Importante registrar que a Maternidade do Hospital do Trabalhador possui 27 anos de funcionamento sem nenhuma ocorrência desta natureza, demonstrando a qualidade dos seus protocolos de segurança.“
*Com informações do portal RIC Mais