‘Nem acredito que estou aqui’, diz mulher agredida dentro de casa em Joinville

Luana Angélica dos Santos foi violentamente agredida dentro de casa na noite de quarta-feira (3), na zona Leste da cidade

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Redação ND Joinville

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“Quando eu lembro do quanto apanhei, não consigo acreditar que estou aqui hoje contando”. O nariz quebrado, a costela quebrada, a clavícula quebrada, quatro pontos após levar uma facada, risco de sangramento no baço e um trauma que não se apaga. Aos 28 anos, Luana Angélica dos Santos deixou o hospital quatro dias após ser internada com diversos machucados, hematomas e marcas visíveis e invisíveis. Ela foi violentamente agredida dentro da própria casa por um homem que invadiu a residência na noite de quarta-feira (2).

Luana Angélica dos Santos foi violentamente agredida dentro da própria casa em Joinville – Foto: Kelly Borges/NDTVLuana Angélica dos Santos foi violentamente agredida dentro da própria casa em Joinville – Foto: Kelly Borges/NDTV

O homem, que havia saído do presídio dias antes, onde estava preso por estupro, arrombou a porta da casa de Luana e foi aí que o terror dela começou.

“Quando eu vi que ele estava entrando, é uma sensação meio difícil de explicar, de impotência. Você não ter para onde ir, eu sabia que não tinha o que fazer e eu sabia que aconteceria. Quando ele me batia, eu sentia muito medo, mas foi meio que automático. Eu sabia que tinha que me defender e eu não conseguia, não tinha muito espaço para pensar, sabia que tinha que lutar pela minha sobrevivência e pelos meus filhos”, conta.

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Após dias recuperando as lembranças para conseguir contar com detalhes o que aconteceu naquela noite, Luana relembrou os momentos de terror que viveu. Antes mesmo da invasão, ela ouviu que o homem estava tentando invadir a casa onde vive com os dois filhos, um de seis anos e outro de menos de dois anos.

Ela conta que tentou ficar quieta para evitar que o homem a ouvisse e foi neste momento que enviou mensagens para os familiares.

“Ele deu quatro porradas bem fortes na porta, fiquei quietinha com meu filho pedindo ajuda, mandando mensagem para todo mundo até que minha irmã me respondeu e começou a entender o que estava acontecendo. Depois que ele deu as batidas na porta, entrou e eu escutei que ele ficava na sala, ao lado do quarto. Ele falava várias coisas sem sentido. Nesse tempo eu fiquei ali pedindo ajuda até que depois de um tempinho eu desliguei o tablete, ele abriu a porta do quarto e deu um sorrisinho, parecia que tinha achado o que queria”, diz.

As memórias são dolorosas e Luana chora ao lembrar dos filhos assustados com a situação. O homem invadiu o quarto onde os três estavam. “Ele entrou falando que mataria todo mundo. Quando ele estava entrando eu sabia que o negócio era sério. Meu filho olhou para mim e falou ‘mamãe, eu tô com medo’. Meu filho de 6 anos. E eu falei: filho não precisa ficar com medo, tá tudo bem, só fica quietinho”, recorda.

Ao entrar no quarto, o homem estava descontrolado, lembra Luana, que precisou jogar o filho mais novo na cama aos cuidados do mais velho. Com lágrimas, ela lembra do momento em que foi arrastada pela casa.

“Só deu tempo de jogar meu filho ou ele iria junto comigo para onde ele me levasse. Eu joguei meu filho na cama, ele acabou acordando e enquanto ele me arrastava para a sala eu só falei: filho cuida do mano, nisso meu filho maior começou a gritar”, conta enquanto o choro rola pelo rosto.

Luana tentou fugir, tentou se defender, foi agredida com socos nas costas, na cabeça, jogada contra o armário, arrastada pelos cabelos, teve a cabeça atirada no chão e na parede até que viu uma faca na cozinha e tentou se defender. “Eu já estava meio tonta por ter batido a cabeça e tudo mais. Vi uma faca em cima da pia e pensava assim: daqui a pouco a minha irmã vai chegar, daqui a pouco minha irmã vai chegar. Acho que é o que me dava força. Eu lembro que consegui pegar a faca, tentar acertar ele, mas eu já estava muito tonta nessa hora. Eu não lembro se consegui e a partir daqui eu já não lembro muito bem das coisas”, fala.

Agora, Luana só quer justiça. O homem que a deixou com marcas físicas e psicológicas já respondia a um processo por estupro e estava há alguns dias fora do presídio.

“Dói, dói bastante saber que poderia ter sido evitado, isso não precisaria ter acontecido, não precisaria”, diz.

Na casa em que tudo aconteceu as marcas foram lavadas, arrumadas, mas o trauma permanece e Luana não quer voltar. “Não volto de jeito nenhum. É a única coisa que passava na cabeça, de não voltar mais lá depois do que aconteceu. Eu pago aluguel, faço o que for, mas não moro mais lá”, fala.

As dores, ainda frequentes, passarão com o tempo e com a recuperação, mas o que Luana quer é se fortalecer emocionalmente de um trauma que está vivo na memória. “Quero me recuperar principalmente emocionalmente. Eu sei que o físico vai passar, mas eu preciso ficar bem psicologicamente para cuidar dos meus filhos que precisam de mim. Deixar isso no passado, uma lembrança borrada lá trás e tentar ser feliz para seguir em frente”, finaliza.

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