Os secretários municipais de Turismo, Cultura e Esporte, Ed Pereira, e o do Meio Ambiente, Fábio Braga, foram exonerados nesta quinta-feira (18). Ambos são alvo de uma operação da Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais) que investiga corrupção e crimes ambientais.
Operação Presságio começou a ser deflagrada na manhã desta quinta-feira – Foto: Divulgação/NDOs decretos de exoneração estão na edição desta quinta-feira do Diário Oficial do Município. A decisão ocorreu após o cumprimento de uma ordem judicial contra os gestores.
Com as saídas, Zena Becker assume o Turismo, Cultura e Esporte. Já o Meio Ambiente fica a cargo de Eduardo Sardá.
SeguirO Carnaval 2024, festa que antes estava sendo organizada com a contribuição de Ed Pereira, será administrado por Fábio Botelho.
Esposa de secretário exonerada
Em nota divulgada ao final da tarde desta quinta, o vereador Marquinhos (PSC) informou que a assessora Samantha dos Santos Brose, esposa do secretário Ed Pereira, foi exonerada. Confira o comunicado na íntegra:
“Gostaríamos de esclarecer a composição de nossa equipe no gabinete. Temos servidores dedicados a atividades externas, buscando demandas da população, e outros responsáveis por serviços burocráticos internos.
Cada membro desempenha funções específicas, visando eficiência e transparência. Além disso, informamos que a servidora Samantha foi exonerada hoje. É crucial destacar que as ações em questão não têm vínculo com este mandato.
Estamos à disposição para contribuir com informações às autoridades, assegurando total cooperação. Samantha responderá pelas ações conforme as investigações, sujeitando-se às devidas consequências legais.”
Operação Presságio envolveu 80 policiais civis
A investigação teve início em janeiro de 2021, após a constatação de um crime ambiental de poluição em um terreno próximo à Passarela Nego Quirido, na região central da capital catarinense.
Durante a greve da Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital), uma empresa terceirizada, encarregada da coleta de lixo, realizou transbordo de resíduos de maneira inadequada, a poucos metros da Baía Sul.
A empresa, sediada em Porto Velho (RO), foi contratada emergencialmente, sem processo licitatório, devido à greve da Comcap, declarada em 20/01/2021.
Segundo a polícia, intrigantemente, a empresa já havia anunciado em suas redes sociais, em 29/12/2020, a contratação de pessoal para trabalhar em Florianópolis, especificamente para vagas relacionadas à coleta de resíduos.
A operação recebeu o nome de presságio devido à suspeita da forma como a empresa estabeleceu o contrato com o município, indicando uma previsão de eventos futuros. O contrato foi assinado em 19/01/2021, um dia antes da decretação da greve.
Segundo as investigações, os envolvidos teriam arquitetado um esquema ilícito para contratar a empresa terceirizada durante a greve da Comcap. Surpreendentemente, mesmo após o término da greve, a empresa continuou prestando serviços de coleta, sem licitação, por aproximadamente dois anos.
A greve da Comcap durou dez dias, enquanto o contrato vigorou por 17 meses.
A operação revelou outros arranjos ilícitos, incluindo repasses de valores de uma Secretaria Municipal, por meio de contratos de fomento, para uma instituição não governamental.
No total, 80 policiais civis de diversas delegacias especializadas da DEIC, DIC de Palhoça, DIC São José, Polícia Civil de Brasília e de Porto Velho/RO participaram da operação.
A ação contou ainda com o acompanhamento da Comissão de Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil Santa Catarina) – Subseção de Florianópolis/SC.
Durante as buscas, realizadas nesta quinta-feira, nas residências dos investigados e em seus locais de trabalho, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, especialmente telefones celulares, e documentos relacionados aos fatos sob apuração.
O espaço segue aberto para esclarecimentos por parte dos envolvidos, que até o momento não retornaram às mensagens da redação.