Número de casos de estupro de meninas e mulheres em SC cai 48% entre 2019 e 2022

Entre 11 unidades da federação que apresentaram queda no número de vítimas de estupro, SC obteve o melhor índice, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Redação ND Florianópolis

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O número de casos de estupro de meninas e mulheres em Santa Catarina caiu 48,2% entre 2019 e 2022, de acordo com o levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quarta-feira (7). Entre as 11 unidades da federação que apresentaram queda no número de vítimas de estupro, Santa Catarina obteve o melhor índice.

Número de casos de estupro de meninas e mulheres em SC cai 48% entre 2019 e 2022 – Foto: Reprodução/Foto IlustrativaNúmero de casos de estupro de meninas e mulheres em SC cai 48% entre 2019 e 2022 – Foto: Reprodução/Foto Ilustrativa

A pesquisa reúne as estatísticas criminais de feminicídio e estupro dos primeiros semestres dos últimos quatro anos, e constatou que foram 1.024 ocorrências no ano de 2022 em Santa Catarina.

No primeiro semestre de 2019, o Estado registrou 1.978 vítimas do sexo feminino dos crimes de estupro e estupro de vulnerável. Quando comparado o primeiro semestre de 2021 e de 2022, a queda foi de 36,4%.

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No acumulado dos quatro anos, 6,3 mil mulheres foram estupradas em Santa Catarina, se levado em consideração apenas o primeiro semestre de cada ano.

No Brasil, o número de casos de estupro de meninas e mulheres aumentou 12,5% em relação ao ano passado. Foram 29.285 ocorrências no primeiro semestre de 2022. Isso significa que, em média, entre janeiro e junho deste ano, ocorreu um estupro de uma menina ou mulher a cada nove minutos no país.

Caso em SC repercutiu no país

Em Santa Catarina, uma menina de 11 anos foi impedida de fazer um aborto após sofrer um estupro. O caso veio à tona e repercutiu nacionalmente após reportagem publicada em junho deste ano pelo Portal Catarinas em parceria com o Intercept Brasil.

A criança, então com dez anos, descobriu a gravidez na 22ª semana de gestação. Ela foi levada pela mãe ao Hospital Universitário, em Florianópolis, para realizar o aborto legal.

O HU, porém, se recusou a realizar o aborto, que é permitido por lei em casos de abuso sexual. A Justiça não autorizou a interrupção da gravidez e encaminhou a menina para um abrigo.

Ela ficou no abrigo por mais de um mês, até a Justiça determinar que ela poderia deixar o local e voltar a ficar com a mãe. Após a divulgação do caso, o MPF (Ministério Público Federal) recomendou ao HU a realização do procedimento, que foi feito no dia 22 de junho, na 29ª semana de gestação.

Feminicídios

Ainda de acordo com o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no período compreendido entre 2019 e 2022, Santa Catarina apresentou redução de 9,4% no número absoluto de feminicídios registrados no primeiro semestre de cada ano.

Em relação ao primeiro semestre de 2021, o crescimento no mesmo período de 2022 foi de 52,6%.

Em âmbito nacional, no primeiro semestre de 2022, 699 mulheres foram vítimas de feminicídio, média de 4 mulheres por dia. Este número é 3,2% mais elevado que o total de mortes registrado no primeiro semestre de 2021, quando 677 mulheres foram assassinadas.

Lisa e Fabiana, vítimas de feminicídio em SC

Em 2022, 29 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado. Entre elas, está Lisa Pereira, que morava em Rio do Sul e foi morta após ter sido esfaqueada pelo ex-companheiro, em abril.

Em fevereiro, Fabiana Schutze, 39 anos, foi encontrada morta dentro de um carro, na frente da casa dela, no centro de Agrolândia. Os laudos do Instituto Geral de Perícias confirmaram que a mulher morreu estrangulada.

O corpo do ex-companheiro de Fabiana também foi achado do lado de fora da mesma residência. A principal linha de investigação aponta para um feminicídio seguido de suicídio.

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