“A alegria para ele se encontrava nas pequenas coisas”, contou Larissa Sene, irmã do policial militar rodoviário vítima de um atropelamento na SC-350, durante uma fiscalização.
Policial Militar Rodoviário foi atropelado durante fiscalização na SC-350 em Taió – Foto: Arquivo pessoal/NDO acidente aconteceu em Taió, no Alto Vale do Itajaí, na última quarta-feira (21). Marcelo Rodrigo de Camargo Sene, de 39 anos, teve morte cerebral confirmada no sábado (24).
Larissa, que mora atualmente em Curitiba, contou que o irmão sempre foi uma pessoa simples e feliz. “Ele nunca precisou de muito. Ele entendia que era no ordinário de um dia normal com quem ele amava que se encontrava a plenitude de ser. Nos churrascos em família, na coisas mais simples da vida, como um mergulho no mar, uma caminhada, ou nas histórias hilárias vividas com os amigos. A alegria pra ele se encontrava nas pequenas coisas”, disse.
SeguirEm conversa com o portal ND+, Larissa confirmou que os órgãos do irmão foram doados. “Hoje já posso afirmar que o coração dele já bate em outro peito, que alguém já enxerga pela doação de suas córneas, que seus rins e fígado estão fazendo a alegria de outras famílias onde a última esperança era um transplante”.
‘O coração dele já bate em outro peito’, conta irmã de policial atropelado em Taió – Foto: Arquivo pessoal/NDPor morar em cidades diferentes durante a fase adulta, Larissa lembrou que passou por uma experiência com o irmão em 2017, quando engravidou de sua filha.
“Eu sabia desde o início que seria mãe solo, que teria que enfrentar aquilo tudo sozinha. Eu chorei muito, tive muito medo e quase desisti. Eu morava em Nova Iorque nessa época, e lembro que ele me ligou por vídeo chamada e falou ‘Lari, eu sei que você está com medo, mas a vida de verdade, o sentido dela, é essa aqui (ele pegou minha sobrinha no colo, que na época tinha recém feito dois anos), o seu propósito de acordar a cada dia, de querer ser alguém melhor, é esse’. Ele era um pai amoroso e dedicado. Sempre era carinhoso com todos, tanto que minha filha chamava ele de pai, esquecia que ele era tio”.
Apaixonado pela família, Marcelo estudou hotelaria e se formou na marinha. “Ele sabia que com a marinha ele teria que ficar mais ausente, por conta das missões em alto mar. E ele queria estar perto. Quando passou no concurso da polícia, viu a possibilidade de servir o próximo e estar próximo. E nisso começou a construir sua carreira”, relembrou Larissa.
Marcelo era casado e tinha dois filhos – Foto: Arquivo pessoal/NDNas redes sociais, Larissa também fez homenagens ao irmão.
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O acidente
Na tarde de quarta-feira (21), por volta das 16h, o policial militar foi sido atropelado no km 286 da SC-350, em Taió. O cabo Marcelo Rodrigo de Camargo Sene, estava realizando fiscalização na rodovia quando acabou atingido pelo condutor de uma caminhonete Fiat Strada, com placas de Taió.
Diante da situação, o policial foi conduzido ao Hospital Santa Isabel de Blumenau em estado grave. No mesmo dia, foi confirmado que o militar sofreu traumatismo craniano e apresentava coágulos no cérebro, mas respondia bem aos tratamentos. No no sábado (24), Marcelo teve morte cerebral confirmada pela equipe médica.