‘O coração dele já bate em outro peito’, conta irmã de policial atropelado em Taió

O policial militar rodoviário Marcelo Rodrigo de Camargo Sene foi vítima de um atropelamento na SC-350 enquanto trabalhava

Foto de Redação ND

Redação ND Blumenau

Receba as principais notícias no WhatsApp

“A alegria para ele se encontrava nas pequenas coisas”, contou Larissa Sene, irmã do policial militar rodoviário vítima de um atropelamento na SC-350, durante uma fiscalização.

Policial Militar Rodoviário foi atropelado durante fiscalização na SC-350 em Taió – Foto: Arquivo pessoal/NDPolicial Militar Rodoviário foi atropelado durante fiscalização na SC-350 em Taió – Foto: Arquivo pessoal/ND

O acidente aconteceu em Taió, no Alto Vale do Itajaí, na última quarta-feira (21). Marcelo Rodrigo de Camargo Sene, de 39 anos, teve morte cerebral confirmada no sábado (24).

Larissa, que mora atualmente em Curitiba, contou que o irmão sempre foi uma pessoa simples e feliz. “Ele nunca precisou de muito. Ele entendia que era no ordinário de um dia normal com quem ele amava que se encontrava a plenitude de ser. Nos churrascos em família, na coisas mais simples da vida, como um mergulho no mar, uma caminhada, ou nas histórias hilárias vividas com os amigos. A alegria pra ele se encontrava nas pequenas coisas”, disse.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Em conversa com o portal ND+, Larissa confirmou que os órgãos do irmão foram doados. “Hoje já posso afirmar que o coração dele já bate em outro peito, que alguém já enxerga pela doação de suas córneas, que seus rins e fígado estão fazendo a alegria de outras famílias onde a última esperança era um transplante”.

‘O coração dele já bate em outro peito’, conta irmã de policial atropelado em Taió – Foto: Arquivo pessoal/ND‘O coração dele já bate em outro peito’, conta irmã de policial atropelado em Taió – Foto: Arquivo pessoal/ND

Por morar em cidades diferentes durante a fase adulta, Larissa lembrou que passou por uma experiência com o irmão em 2017, quando engravidou de sua filha.

“Eu sabia desde o início que seria mãe solo, que teria que enfrentar aquilo tudo sozinha. Eu chorei muito, tive muito medo e quase desisti. Eu morava em Nova Iorque nessa época, e lembro que ele me ligou por vídeo chamada e falou ‘Lari, eu sei que você está com medo, mas a vida de verdade, o sentido dela, é essa aqui (ele pegou minha sobrinha no colo, que na época tinha recém feito dois anos), o seu propósito de acordar a cada dia, de querer ser alguém melhor, é esse’. Ele era um pai amoroso e dedicado. Sempre era carinhoso com todos, tanto que minha filha chamava ele de pai, esquecia que ele era tio”.

Apaixonado pela família, Marcelo estudou hotelaria e se formou na marinha. “Ele sabia que com a marinha ele teria que ficar mais ausente, por conta das missões em alto mar. E ele queria estar perto. Quando passou no concurso da polícia, viu a possibilidade de servir o próximo e estar próximo. E nisso começou a construir sua carreira”, relembrou Larissa.

Marcelo era casado e tinha dois filhos – Foto: Arquivo pessoal/NDMarcelo era casado e tinha dois filhos – Foto: Arquivo pessoal/ND

Nas redes sociais, Larissa também fez homenagens ao irmão.

O acidente

Na tarde de quarta-feira (21), por volta das 16h, o policial militar foi sido atropelado no km 286 da SC-350, em Taió. O cabo Marcelo Rodrigo de Camargo Sene, estava realizando fiscalização na rodovia quando acabou atingido pelo condutor de uma caminhonete Fiat Strada, com placas de Taió.

Diante da situação, o policial foi conduzido ao Hospital Santa Isabel de Blumenau em estado grave. No mesmo dia, foi confirmado que o militar sofreu traumatismo craniano e apresentava coágulos no cérebro, mas respondia bem aos tratamentos. No no sábado (24), Marcelo teve morte cerebral confirmada pela equipe médica.

Tópicos relacionados