‘O Lula cortou’: neta acusada de desviar R$ 200 mil da aposentadoria do avô culpa presidente

Investigada por estelionato, mulher usava justificativas falsas, contas em nome do idoso e até uma funcionária fictícia da Caixa para sustentar a fraude

Foto de Matheus Bastos

Matheus Bastos Florianópolis

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Dinheiro de aposentadoria espalhadaNeta é indiciada por desviar aposentadoria de avô de 87 anos – Foto: inss; aposentadoria

Um caso de estelionato envolvendo uma neta e seu avô de 87 anos é investigado pela Polícia Civil do Paraná. A mulher teria desviado cerca de R$ 200 mil desde 2021, quando passou a controlar as finanças do idoso.

Segundo a polícia, ela entregava somente uma parte da aposentadoria mensal ao avô e alegava guardar o restante. Quando a família questionava os valores, ela dizia que o presidente Lula havia “cortado o 13º salário”.

Aposentadoria e precatório teriam sido usados indevidamente por mulher de 35 anos

Além da aposentadoria, o idoso havia recebido um precatório judicial de R$ 123,8 mil, dos quais somente R$ 14 mil chegaram efetivamente a ele. A neta alegava que o restante havia sido investido ou bloqueado, mas a investigação aponta que os valores foram retirados aos poucos.

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Extrato bancário mostra desvios de aposentadoria e precatório feitos por netaExtrato bancário mostra desvios de aposentadoria e precatório feitos por neta – Foto: Divulgação/PCPR

Para sustentar a fraude, a mulher chegou a criar uma personagem fictícia: uma suposta funcionária da Caixa Econômica Federal chamada “Jéssica”, que telefonava ao idoso afirmando que o banco estava bloqueando os valores em conta.

A neta também abriu contas bancárias em nome do avô, contratou empréstimos e transferiu valores diretamente para si sem autorização. A fraude foi descoberta após o filho do idoso perceber que o IPVA do carro estava atrasado há três anos, apesar de o valor para o pagamento ter sido entregue.

Boneco simbolizando idoso com moedas empilhadas a frenteA Reforma da Previdência trouxe importantes mudanças na aposentadoria – Foto: Canva/ND

O delegado Gabriel Munhoz, responsável pelo caso, afirma que os desvios sustentavam o estilo de vida da mulher, de 35 anos, que não possuía emprego. Ela foi indiciada por estelionato com agravantes por ser contra idoso e de forma continuada, o que pode elevar a pena para até 10 anos de prisão.

O advogado Fernando Madureira, que defende a acusada, afirma que os valores foram “emprestados” de forma voluntária e que a mulher pretende “ressarcir ao avô pelos valores emprestados”.

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