Obra de alargamento alterou correntes de retorno na Praia Central de Balneário Camboriú

Alteração aumentou número de arrastamentos nesta temporada de verão, conforme dados do Corpo de Bombeiros

Kassia Salles Itajaí

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A primeira temporada de verão após o alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú, além de um aumento no número de turistas, também aumentou a quantidade de arrastamentos de banhistas. Conforme o Corpo de Bombeiros, o número de ocorrências deste tipo cresceu mais de 37% em 2022 em relação a 2021.

Obra de alargamento alterou estrutura da Praia Central de Balneário Camboriú – Foto: Arquivo/Bruno Golembiewski/NDObra de alargamento alterou estrutura da Praia Central de Balneário Camboriú – Foto: Arquivo/Bruno Golembiewski/ND

Os dados foram trazidos pelo comandante do 13º Batalhão de Bombeiros Militar, tenente-coronel José Ananias Carneiro, na tribuna da sessão de terça-feira (5) na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú.

Segundo ele, o alargamento alterou todas as correntes de retorno da praia, o que alterou os indicadores dos bombeiros e ocasionou um aumento nas ocorrências. Em 2022, uma morte foi registrada por afogamento no mar em Balneário Camboriú, mas nenhuma na Praia Central.

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“Quando se mexeu com a areia, mexeu com todas as correntes de retorno”, explica. Com isso, houve mudanças também na disposição dos guarda-vidas ao longo da praia.

Mas, para o tenente-coronel, o aumento no número de turistas também pode ter colaborado com o crescimento nas ocorrências. Segundo o comandante, a pandemia represou o turismo e, quando as coisas melhoraram, mais pessoas vieram para a praia. Isso refletiu também no aumento de crianças perdidas na praia de 2021 para 2022, que foi de 21,2%.

O número de postos e cadeiras de guarda-vidas também aumentou de 2021 e 2022. Ano passado, eram 13 postos, contra 16 em 2022. Além disso, de seis, Balneário Camboriú este ano tem 12 cadeiras de guarda-vidas. A praia Central também teve um reforço com quadrículos dos bombeiros.

Impactos da obra

A secretária de Meio Ambiente da cidade, Maria Heloisa Lenzi, explica que a praia segue sendo monitorada e que mudanças nas correntes já eram esperadas com a alteração da praia.

“Ainda estamos ‘em obras’, só que agora é a natureza que está trabalhando”, explica. Conforme a secretária, será necessário pelo menos um ano de monitoramento após o término do alargamento para que todos os impactos sejam avaliados.

“Mas a obra não tornou a praia mais perigosa”, garante. “O projeto foi feito todo para que a praia volte a ter o mesmo perfil de antes do alargamento”, afirma.