Ocorrências por águas-vivas aumentam em 244% em SC; saiba como agir em caso de ferimentos

As caravelas, comuns no Litoral de Santa Catarina, podem causar envenenamento; é importante ter alguns cuidados ao entrar no mar

Redação ND Florianópolis

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Segundo o boletim da temporada de Veraneio, divulgado nesta quinta-feira (26) pelo CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina), o aumento de casos nas ocorrências de águas-vivas chegou a 244%.  Foram 11.897 ocorrências só em 2023. Em 2022 foram 3.458.

Quem sofrer queimaduras por águas-vivas deve procurar a ajuda de salva-vidas – Foto: Arquivo/Fernando Mendes/NDQuem sofrer queimaduras por águas-vivas deve procurar a ajuda de salva-vidas – Foto: Arquivo/Fernando Mendes/ND

Para evitar o crescente número de casos, o CBMSC afirma que é fundamental verificar se há a bandeira lilás no posto de guarda-vidas antes de entrar no mar, pois a sinalização indica a presença das águas-vivas.

De acordo com coordenador do projeto de monitoramento das águas-vivas da praia do Campeche e na Barra da Lagoa, em Florianópolis, o professor Alberto Lindner, do CCB (Departamento de Ecologia e Zoologia do Centro de Ciências Biológicas), o aparecimento das caravelas (espécie de água-viva comum no Litoral catarinense) aumenta por alguns fenômenos.

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“A lestada, que são os ventos do leste acabam transportam esses animais de alto-mar para as áreas litorâneas. Mas não só a lestada, o vento nordeste, comum no verão de Santa Catarina, vai trazer a caravela”, comenta.

O professor também explica alguns mitos que existem em torno desses animais.

“Na verdade, são dois tipos de organismos: a caravela portuguesa, aquela bem roxa, que fica boiando. E o outro chamado de Medusa,  elas tem aquele formato de guarda-chuva. São animais de águas quentes. E é justamente no verão que esses animais vêm encalhar aqui nas praias em Santa Catarina, trazidas pelos ventos”.

Segundo o pesquisador, as caravelas não causam “queimaduras”, mas sim um envenenamento, geralmente mais grave do que aquele causado pela maioria das espécies de águas-vivas.

Os tentáculos possuem pequenas cápsulas que injetam veneno através de micro arpões, chamados nematocistos, quando acidentalmente tocam a pele humana.

Como agir em casos de acidentes

  • Saia da água imediatamente, porque o envenenamento pode causar câimbras e há risco de afogamento;
  • Lave com água do mar para retirar restos de tentáculos aderidos;
  • Lave com vinagre por alguns minutos para desativar o veneno e prevenir novas inoculações na pele;
  •  Amenize a dor com água do mar gelada ou gelo artificial envolto por panos. Essas compressas frias têm efeito analgésico para vários tipos de envenenamentos com caravelas ou águas-vivas.

O que não fazer

  • Nunca urine, nem use substâncias como álcool ou refrigerante sobre a lesão, pois não há comprovação de eficácia dessas substâncias em amenizar os efeitos da lesão;
  • Nunca lave com água doce, uma vez que a medida pode aumentar o envenenamento e agravar a lesão;
  • Evite usar toalhas, areia ou outro material abrasivo para retirar restos de tentáculos, pois isto também pode aumentar a injeção de toxinas por explodir as cápsulas com veneno.

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