Operação apura pagamento de propina para liberar obras em Florianópolis; 5 pessoas são alvo

Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta quinta-feira (8), a maior parte no Sul da Ilha

Foto de Felipe Bottamedi e Nícolas Horácio

Felipe Bottamedi e Nícolas Horácio Florianópolis

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A Operação Primeiro Round, deflagrada pela Decor/Deic (Delegacia de Combate à Corrupção e Investigação de Crimes Contra o Patrimônio Público) nesta quinta-feira (8), apura supostas cobranças de propina por parte de servidores públicos municipais para a liberação de obras em Florianópolis.

Foram alvos da operação cinco suspeitos, dentre eles três empresários e dois servidores públicos municipais da Floram (Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis). Há suspeitos que possuem mais de um imóvel. Um empreiteiro foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Florianópolis teve operação que investiga pagamento de propina em troca de alvaráAo todo, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta quinta-feira – Foto: Polícia Civil/Divulgação/ND

Ao todo, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta quinta-feira (8) e a maior parte das ações é realizada no Sul da Ilha de Santa Catarina. Até às 16h desta quinta os policias seguiam na rua.

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A investigação trabalha com dois tipos de suspeitas de irregularidade: construtores que empreendiam obras regulares e que teriam sido vítimas de cobranças para a liberação de alvarás e licenciamentos; e os que teriam se aproveitado para empreender irregularmente. Neste último caso, o pagamento era para não ter fiscalização.

As investigações apontam que a suposta propina cobrada pelos agentes variava conforme a obra, de acordo o delegado Rodrigo Dantas, titular da Decor/Deic. “Era dimensionado conforme o tamanho”, detalha. A cobrança era, em média, 20% do valor da obra.

Há mais investigados no inquérito. A Polícia Civil não precisou o número de empreendimentos envolvidos nas supostas irregularidades e a quantidade total de suspeitos.

Denúncias começaram no fim de 2021

A primeira denúncia sobre as irregularidades foi registrada no fim de 2021. “Foi quando chegaram as primeiras informações, mas eram ainda muito inconsistentes. Ao longo de 2022 recebemos mais e, em maio, veio algo mais concreto”, detalha Dantas.

As denúncias foram feitas por empreiteiros que enfrentavam dificuldades em conseguir licenciamento.

Entre maio e outubro, a Polícia Civil realizou diversas diligências. Na atual etapa, “a Polícia apura a veracidade do que foi apurado”, ressalta o delegado.

O nome da operação (primeira rodada, em tradução literal) faz referência à situação da investigação, ainda em fase inicial. “São as primeiras diligências, estamos colhendo elementos de informação para subsidiar as investigações”, detalha o titular da Decor/Deic.

Investigados

A NDTV teve acesso ao nome dos investigados alvos da Operação. Dentre eles, três empresários e dois servidores públicos municipais lotados na Floram.

A reportagem tentou contato com os suspeitos, mas não teve retorno até o fechamento. A investigação não detalhou a participação de cada um no caso. São eles:

  • Felipe Pereira – Chefe do Departamento de Fiscalização Ambiental da Floram
  • Maurício Sulyman Miller – Empresário (Construtora Miller)
  • Arlan Nunes Quell – Empresário (Ilha Sul Construções)
  • Carlos Augusto de Jesus – servidor da Floram
  • Giovane Ribeiro Paz – empresário (Ribeiro Empreendimentos Imobiliários LTDA)

*A reportagem conta com informações da NDTV

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