Nove dos 11 principais traficantes de animais do Brasil foram presos nesta segunda-feira (26) durante operação da Polícia Civil em Joinville, no Norte catarinense, e em sete cidades do Paraná. Outros dois seguem foragidos.
Rede tinha mais de 20 mil membros espalhados pelo Brasil e fora – Foto: PCPR/Divulgação/NDEles estão sendo investigados por tráfico de animais, falsificação de documento público, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Civil do Paraná, os alvos coordenavam uma rede de tráfico de animais silvestres e exóticos no Brasil, com conexões também no Paraguai e Venezuela.
SeguirA investigação que já se estende por nove meses aponta que os suspeitos administravam 27 grupos em aplicativo de mensagens e em redes sociais, que acumulavam mais de 20 mil membros.
“Nesses grupos, os traficantes anunciavam, enviavam vídeos dos animais para mostrar as condições de saúde e vendiam para todo o Brasil. Colocavam o preço. Havia venda no atacado e varejo”, explicou o delegado Guilherme Dias.
A entrega era realizada através de aplicativos de transporte de passageiros e de cargas. Esse detalhe chama a atenção da investigação, porque, para não levantar suspeita, os animais precisariam estar bem mobilizados.
“Assim, mais de 90% desses animais morrem no transporte, porque eles sufocam no transporte e morrem de estresse”, afirmou o delegado.
Operação cumpriu 24 ordens judiciais – Vídeo: PCPR/Divulgação/ND
Animais raros eram traficados
Segundo Dias, os traficantes vendiam tanto a pronta-entrega quanto sob encomenda. Na lista dos anúncios, havia animais silvestres pertencentes à fauna brasileira e exóticos da fauna de outros países.
“O que podemos apurar ao longo da investigação que da fauna brasileira eles conseguiam toda e qualquer espécie. Então, haviam animais a pronta-entrega, como jabutis e iguanas. Mas se você quisesse uma onça, é o que eles relatam, você conseguia. Animais amazônicos também, mas precisava de encomenda”, detalhou o delegado.
Casal de arara-azul
Uma das transações feita pela associação criminosa pode ter chegado ao valor de R$ 200 mil. “Essa organização criminosa ofertou o casal de arara-azul-de-lear, que é um animal muito raro, por R$ 200 mil”, comentou o delegado.
Nesta segunda-feira, a polícia apreendeu centenas de animais, répteis, aves e mamíferos durante a operação. Alguns podem chegar a R$ 50 mil.
Outro fato que chama a atenção é que o recebimento dos valores da atividade criminosa era realizado por meio de contas bancárias de laranjas, inclusive em nome de pessoas mortas.
Relembre operação
A operação cumpriu 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão nas cidades de Curitiba, Araucária, Almirante Tamandaré, São José dos Pinhais, Matinhos, Colombo, Campina Grande do Sul, no Paraná e em Joinville.
A operação conta com o apoio da Polícia Militar do Paraná, da Polícia Científica, do Instituto Água e Terra, da Prefeitura de Curitiba e do Criadouro Onça Pintada.