Operação Parquímetro: 2ª fase tem sequestro de R$ 25 milhões de investigados em SC

Polícia Civil investiga possíveis irregularidades em contrato firmado entre a prefeitura de Florianópolis e a Dom Parking, empresa que administrava o estacionamento rotativo

Redação ND Florianópolis

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A 2ª fase da Operação Parquímetro, realizada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (23), sequestrou cerca de R$ 25 milhões em bens de investigados pelas fraudes cometidas pela Dom Parking, empresa que administrou o estacionamento rotativo de Florianópolis até 2019.

Empresa deixou dívida de cerca de R$ 20 milhões à prefeitura – Arquivo/Flávio Tin/NDEmpresa deixou dívida de cerca de R$ 20 milhões à prefeitura – Arquivo/Flávio Tin/ND

A polícia apura se houve omissão na fiscalização dos contratos, além de pagamentos de propinas a agentes públicos e políticos. A investigação também aponta que as fraudes levaram ao enriquecimento do núcleo familiar responsável pela Dom Parking, com movimentação expressiva de valores em espécie.

Segundo o delegado Jeferson Prado, a empresa entrou com ação de reequilíbrio econômico. A iniciativa foi rechaçada pela equipe de investigação da polícia.

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A Dom Parking teve contrato firmado com a Prefeitura de Florianópolis e explorou a chamada Zona Azul ao longo de 8 anos – entre 2013 e 2018. Segundo a investigação, a empresa não repassou cerca de R$ 20 milhões aos cofres públicos.

Em 2019, quando a prefeitura de Florianópolis rescindiu o contrato com a empresa investigada, 165 funcionários ficaram sem receber salário -a empresa não depositava os 8% mensais do salário de cada trabalhador previsto em lei para o FGTS. A concessionária acumulou dívidas de R$ 61 milhões, além de 199 ações trabalhistas.

Investigação encontrou contabilidade paralela

Segundo o delegado Jeferson Prado, titular da DLav/Deic (Delegacia de Investigação à Lavagem de Dinheiro), foram encontradas contabilidades paralelas, pagamentos extra folha e o faturamento real da Dom Parking nesta nova etapa da Operação.

“Ao que tudo indica, o que se declarava era aquilo que entrava, como receita, via POS, cartão de crédito e recarga. O que vinha em espécie era utilizado para enriquecimento, locupletamento para o grupo empresarial que estava explorando [os serviços], e o pagamento de supostas propinas, que estão sendo investigadas”, diz o delegado.

O ND+ não conseguiu localizar a defesa da Dom Parking na manhã desta terça-feira (23). A reportagem contatou advogados que atuam em outras ações respondidas pela empresa. O espaço está aberto.

A Prefeitura de Florianópolis informou que não foi notificada sobre a operação desta terça-feira.

“De qualquer forma, lembra que o objeto investigado é referente a um contrato anterior ao ano de 2019, portanto, sem vínculo com a atual gestão. A empresa investigada não possui qualquer vínculo com o executivo municipal atualmente. O município vai aguardar maiores informações para tomar providências, caso sejam necessárias.”, informou a equipe da prefeitura.

CPI e primeira fase

A investigação começou em 2019 após uma apreensão feita por vereadores da Capital. Ele chegaram a criar uma CPI para apurar o contrato da Zona Azul. Os parlamentares tinham recebido na ocasião denúncias de que a concessionária estava retirando os computadores do escritório – os equipamentos apreendidos pela Polícia Civil.

A primeira fase da operação foi realizada em maio de 2021, quando foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão. De acordo com a polícia, após a realização da primeira fase, foram analisados documentos, celulares e mídias apreendidas na ocasião.

Na época as ações foram realizadas em 11 cidades: Florianópolis, São JoséPalhoçaGovernador Celso RamosItapemaBalneário CamboriúItajaíJoinvilleSão Francisco do SulCaçador e Novo Hamburgo (RS).

Também foram colhidos diversos depoimentos, o que viabilizou a realização da nova etapa, onde foram cumpridos novos mandados de busca.

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