A operação policial contra corrupção na manhã desta quinta-feira (18) em Florianópolis gerou grande tensão política na cidade. Detalhes exclusivos obtidos pelo Grupo ND revelam que o HD do computador de um dos alvos da operação foi apreendido pela DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais).
Operação contra corrupção em Florianópolis mira em secretários e servidores – Foto: Reprodução/Polícia Civil/NDO HD pertencia à esposa de Ed Pereira, Samantha dos Santos Brose, assessora parlamentar no gabinete do vereador Marquinhos (PSC). Ed também é alvo da operação, mas como Secretário Municipal de Cultura, Esporte e Lazer.
Além de Ed, outro secretário municipal investigado é Fábio Braga, do Meio Ambiente. Na Câmara, além de Samantha, também é alvo da operação o servidor comissionado Gustavo Silveira.
SeguirEm nota, a assessoria do vereador Marquinhos confirmou que Samantha trabalha no local, mas não deu detalhes sobre a operação. Confira:
“O Gabinete do Vereador Marquinhos Silva, através da sua assessoria de imprensa, informa que não há nenhum envolvimento do parlamentar na investigação realizada nesta manhã de quinta-feira (18), na Câmara Municipal de Florianópolis. Confirmamos que Samantha dos Santos Brose é assessora nomeada neste gabinete, mas desconhecemos quaisquer atitudes ilícitas por parte da comissionada.
Por fim, o vereador se compromete em colaborar no que for preciso para o andamento das investigações.”
A troca de computadores
Gustavo Silveira mudou de login no sistema da Câmara de Vereadores em Florianópolis. A ação fez com que os policiais não conseguissem localizar a máquina do servidor. Com isso, não foi possível realizar a perícia no computador do servidor, como o que será feito com o HD de Samantha.
Enquanto a operação era realizada pelos policiais, servidores, funcionários terceirizados e assessores estavam na calçada na Câmara de Vereadores. Os relatos eram de surpresa e apenas os funcionários de serviços gerais estavam autorizados a adentrar o prédio da Câmara.
Em nota a assessoria do vereador Jeferson Backer (PSDB) respondeu que ele foi pego de surpresa. Confira:
“O Vereador Jeferson foi pego de surpresa com os fatos informados a respeito da operação deflagrada na manhã desta quinta-feira pela Polícia Civil de Santa Catarina.
Cumpre-nos informar que o servidor comissionado, não é assessor parlamentar do Gabinete conforme divulgado, mas sim, servidor da mesa diretora da Câmara. Importante frisar, também, que o Vereador Jeferson, nãoo é parte nas investigações ora divulgadas, e está à disposição das autoridades policiais para qualquer esclarecimento”.
A operação policial
A investigação teve início em janeiro de 2021, após a constatação de um crime ambiental de poluição em um terreno próximo à Passarela Nego Quirido, na região central da capital catarinense.
Durante a greve da COMCAP, uma empresa terceirizada, encarregada da coleta de lixo, realizou transbordo de resíduos de maneira inadequada, a poucos metros da Baía Sul.
A empresa, sediada em Porto Velho (RO), foi contratada emergencialmente, sem processo licitatório, devido à greve da Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital), declarada em 20/01/2021.
Segundo a Polícia, intrigantemente, a empresa já havia anunciado em suas redes sociais, em 29/12/2020, a contratação de pessoal para trabalhar em Florianópolis, especificamente para vagas relacionadas à coleta de resíduos.
A operação recebeu o nome de presságio devido à suspeita forma como a empresa estabeleceu o contrato com o município, indicando uma previsão de eventos futuros. O contrato foi assinado em 19/01/2021, um dia antes da decretação da greve.
Segundo as investigações, os envolvidos teriam arquitetado um esquema ilícito para contratar a empresa terceirizada durante a greve da COMCAP. Surpreendentemente, mesmo após o término da greve, a empresa continuou prestando serviços de coleta, sem licitação, por aproximadamente dois anos. A greve da COMCAP durou 10 dias, enquanto o contrato vigorou por 17 meses.
A operação revelou outros arranjos ilícitos, incluindo repasses de valores de uma Secretaria Municipal, por meio de contratos de fomento, para uma instituição não governamental.
No total, 80 policiais civis de diversas delegacias especializadas da DEIC, DIC de Palhoça, DIC São José, Polícia Civil de Brasília e de Porto Velho/RO participaram da operação. A ação contou ainda com o acompanhamento da Comissão de Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil Santa Catarina)– Subseção de Florianópolis/SC.
Durante as buscas, realizadas nesta quinta-feira (18), nas residências dos investigados e em seus locais de trabalho, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, especialmente telefones celulares, e documentos relacionados aos fatos sob apuração. O espaço segue aberto para esclarecimentos por parte dos envolvidos, que até o momento não retornaram às mensagens da redação.