* Danilo Duarte, interino
Quando o assunto é a Operação Presságio, ainda há muito a ser explicado e muito silêncio por parte de alguns dos envolvidos. Deflagrada na última semana, o capítulo mais recente é a entrevista exclusiva do ex-presidente da Comcap (Companhia Melhoramentos da Capital), Lucas Arruda, ao Grupo ND, concedida nesta segunda-feira (22).
Lucas Arruda falou com exclusividade ao Grupo ND nesta segunda-feira – Foto: Ana Schoeller/NDCom semblante sisudo e um calhamaço de papeis, Arruda se defendeu durante vários minutos sobre as informações contidas no processo de investigação que vem sendo conduzida pela Deic (Delegacia de Investigação de Crimes Ambientais e Crimes contra Relações de Consumo).
SeguirQuestionado sobre a forma da chegada da empresa Amazon Fort até Florianópolis, Arruda foi direto: “não fui eu quem solicitei orçamento para a Amazon.”
Em outro momento, quando perguntado sobre a forma com que a empresa chegou até Florianópolis, explicou que “não houve informação privilegiada, nem pra Amazon Fort e nem pra nenhuma empresa”, disse, categórico.
O ex-servidor público é investigado por supostamente fazer parte de um esquema de corrupção que envolve crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude à licitação e associação criminosa dentro da Operação Presságio, que começou a ser divulgada na última quinta-feira (18), em Florianópolis.
Lucas foi, conforme o processo, “quem realizou a contratação emergencial da empresa Amazon Fort, para sanar a lacuna da coleta de lixo, em virtude da greve da Comcap. Lucas foi quem contratou de forma célere e duvidosa a empresa Argailha para ceder o espaço para que a empresa Amazon Fort pudesse realizar o transbordo dos resíduos recolhidos do Norte da Ilha. Ainda, foi Lucas quem solicitou licença ambiental para Floram, para efetivar o transbordo do lixo no terreno dos fundos da Passarela Nego Quirido.”
A defesa de Arruda abre novos questionamentos. Quem trouxe a Amazon Fort para a disputa, em 2021? Por que houve aditivo de prazo no contrato, em vez de uma licitação? Se havia tantas provas antes e havia comprovadamente danos ao patrimônio público, porque houve tanta espera para deflagrar a fase que aconteceu na semana passada?
Operação Presságio aborda gestões de Lucas Arruda e Fábio Braga
A investigação aborda um período em que houve troca de comando em algumas secretarias e também uma reforma administrativa em Florianópolis.
Por isso, os nomes de Lucas Arruda e Fábio Braga, que o sucedeu, estão entre os citados. A contratação inicial aconteceu ainda sob a gestão de Arruda na Comcap, enquanto os aditivos foram feitos por Braga.
Sobre a extensão do contrato por 17 meses, Arruda explicou, em entrevista, que a previsão inicial era durar 90 dias, mas um estudo interno mostrou que seria mais econômico terceirizar a coleta de lixo do que manter o serviço sob responsabilidade pública (leia-se Comcap).
No entanto, por conta da troca de comando no órgão responsável pelo contrato, a chefia já estava sendo exercida por Braga durante as prorrogações, que aconteceram com dispensa de licitação.
No centro da investigação está o ex-secretário Ed Pereira, que foi flagrado em encontros e com movimentações financeiras envolvendo os donos da Amazon Fort.
Procurado pela coluna, ele informou que não se manifestará por enquanto. Ed foi exonerado pelo prefeito Topázio. Ele publicou um vídeo em suas redes sociais, onde se manifestou sobre a Operação Presságio:
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O ex-secretário Fábio Braga, também exonerado, usou a mesma estratégia e divulgou um vídeo em que se explicou:
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