Caso de racismo na Oktoberfest gera operação policial em 16 cidades do país; entenda

Policia Civil de Santa Catarina trabalhou em conjunto com outros nove estados para deflagrar operação que investiga comentários racistas na internet após vídeo publicado durante a Oktoberfest de 2022

Daniela Ceccon Florianópolis

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A Polícia Civil de Santa Catarina, em conjunto com outros nove estados do país, finalizou nesta segunda (23), a primeira etapa da operação “Trend”, que investiga uma rede de racismo na internet.

Operação "Trend" investiga rede de racismo na web e cumpriu 16 mandados de busca e apreensão no país - Foto: Polícia Civil/Divulgação/NDOperação “Trend” investiga rede de racismo na web e cumpriu 16 mandados de busca e apreensão no país – Foto: Polícia Civil/Divulgação/ND

16 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Florianópolis e Joinville, além de outros 14 municípios brasileiros.

A investigação foi deflagrada após um vídeo publicado na Oktoberfest de Blumenau de 2022 ter gerado uma onda de comentários racistas na web.

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A operação foi deflagrada pela Polícia Civil do estado em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, e contou com o apoio das Polícias Civis de nove estados e do Distrito Federal.

Material apreendido

Essa etapa da operação contou com a finalização da análise preliminar do material apreendido durante a fase “ostensiva” da operação, deflagrada em 05 de outubro.

Nesta segunda, 97 policiais foram a campo em todo o país para o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

Diversos computadores portáteis dos investigados foram levados pela polícia. Três pessoas inclusive são menores de idade.

“A análise encontrou vestígios digitais dos crimes apurados no inquérito,  e também revelou que diversos suspeitos possuem perfil extremista, com nítidas referências ao neonazismo”, afirmou a polícia em nota.

Operação começou com caso em SC

A investigação começou a partir de um caso que aconteceu na Oktoberfest de Blumenau, em 2022.

O crime aconteceu no ano passado, quando Márcio José Corrêa, 44 anos, que é negro, postou um vídeo no TikTok com a enteada, de 12 anos.

Os dois aparecem usando os trajes típicos da festa. Rapidamente, a publicação de Márcio começou a receber comentários de cunho racista e xenofóbico.

Dentre os comentários, estavam frases como “algo de errado não está certo”, “achei que ia só branco”, “a festa é no Nordeste também”.

Morador negro de Blumenau sofreu racismo ao postar vídeo com trajes típicos da festa; na época, a prefeitura de Blumenau repudiou o caso – Foto: Divulgação/Redes Sociais/ND

Segundo o delegado responsável pelas investigações, Arthur Lopes, a investigação para apurar o caso revelou um verdadeiro mapa do racismo.

“Isso demonstra que o problema atinge todo o território nacional e não há um perfil determinado; foram identificados desde adolescentes do sexo feminino a homens de mais idade”, destaca Arthur.

“A disseminação de ódio tem ultrapassado os limites da liberdade de expressão e esses crimes praticados no ambiente virtual não contam mais com o anonimato pretendido pelos autores”, finaliza.

Todo o trabalho foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Racismo e a Delitos de Intolerância da DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais) em Santa Catarina.

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