A Polícia Civil de Santa Catarina, em conjunto com outros nove estados do país, finalizou nesta segunda (23), a primeira etapa da operação “Trend”, que investiga uma rede de racismo na internet.
Operação “Trend” investiga rede de racismo na web e cumpriu 16 mandados de busca e apreensão no país – Foto: Polícia Civil/Divulgação/ND16 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Florianópolis e Joinville, além de outros 14 municípios brasileiros.
A investigação foi deflagrada após um vídeo publicado na Oktoberfest de Blumenau de 2022 ter gerado uma onda de comentários racistas na web.
SeguirA operação foi deflagrada pela Polícia Civil do estado em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, e contou com o apoio das Polícias Civis de nove estados e do Distrito Federal.
Material apreendido
Essa etapa da operação contou com a finalização da análise preliminar do material apreendido durante a fase “ostensiva” da operação, deflagrada em 05 de outubro.
Nesta segunda, 97 policiais foram a campo em todo o país para o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
Diversos computadores portáteis dos investigados foram levados pela polícia. Três pessoas inclusive são menores de idade.
“A análise encontrou vestígios digitais dos crimes apurados no inquérito, e também revelou que diversos suspeitos possuem perfil extremista, com nítidas referências ao neonazismo”, afirmou a polícia em nota.
Operação começou com caso em SC
A investigação começou a partir de um caso que aconteceu na Oktoberfest de Blumenau, em 2022.
O crime aconteceu no ano passado, quando Márcio José Corrêa, 44 anos, que é negro, postou um vídeo no TikTok com a enteada, de 12 anos.
Os dois aparecem usando os trajes típicos da festa. Rapidamente, a publicação de Márcio começou a receber comentários de cunho racista e xenofóbico.
Dentre os comentários, estavam frases como “algo de errado não está certo”, “achei que ia só branco”, “a festa é no Nordeste também”.
Morador negro de Blumenau sofreu racismo ao postar vídeo com trajes típicos da festa; na época, a prefeitura de Blumenau repudiou o caso – Foto: Divulgação/Redes Sociais/ND
Segundo o delegado responsável pelas investigações, Arthur Lopes, a investigação para apurar o caso revelou um verdadeiro mapa do racismo.
“Isso demonstra que o problema atinge todo o território nacional e não há um perfil determinado; foram identificados desde adolescentes do sexo feminino a homens de mais idade”, destaca Arthur.
“A disseminação de ódio tem ultrapassado os limites da liberdade de expressão e esses crimes praticados no ambiente virtual não contam mais com o anonimato pretendido pelos autores”, finaliza.
Todo o trabalho foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Racismo e a Delitos de Intolerância da DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais) em Santa Catarina.