A equipe da NDTV Record Joinville conversou com o delegado de Barra Velha, Procópio Batista Silveira Neto, que detalhou o crime que chocou não só a cidade, mas Santa Catarina. Uma adolescente de 12 anos deu à luz a uma menina há cerca de seis meses na Maternidade Darcy de Vargas, em Joinville, após após ser estuprada pelo próprio pai em Barra Velha.
Procópio Batista Silveira Neto, delegado de Barra Velha que conduziu as investigações e pediu a prisão do casal – Foto: Ricardo Alves/NDTV Record JoinvilleA vítima foi ouvida algumas vezes tanto no Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) quanto na delegacia de polícia, mas sempre apresentava versões conflitantes, o que foi um desafio para a Polícia Civil no decorrer da apuração.
Outra testemunha que apresentou versões divergentes foi a mãe da madrasta. “Por vezes, ela falava que sabia dos estupros, que ouvia, que via, que a madrasta sabia, a própria menina falava que estava sendo estuprada; e por vezes permanecia em silêncio. A gente só teve a prova conclusiva do crime quando chegou o exame de DNA comprovando a paternidade da criança”, detalha o delegado.
SeguirSegundo as investigações, ficou claro que os estupros aconteciam de forma habitual, ou seja, quase todos os dias.
“O pai chegava em casa, ia para o quarto com a criança, estuprava ela enquanto a mãe ficava na sala assistindo televisão, fazendo as coisas dela, mas ciente do que estava acontecendo”, repudia o delegado Procópio.
Os abusos teriam sido cometidos desde que a filha tinha 9 anos.
Ainda de acordo com o delegado Procópio Batista Silveira Neto, durante os depoimentos, a família sempre tentava desmerecer a palavra da vítima, dizendo que “ela tinha uma vida sexual ativa, que era filho de um namoradinho, podia ser de um pedreiro, mas as provas testemunhais demonstram que o crime não só acontecia dentro de casa como era de anuência dos dois”.
Outra informação que chegou até a Polícia Civil é de que a madrasta teria dito que tinha a intenção de assumir a maternidade da filha da vítima.
“Por causa de todas as versões, tivemos muita cautela para chegar a uma conclusão e ela veio com a prova do DNA que demostrou que o bebê é do pai da menina, que agora é avó e pai”, destaca o delegado que conduziu toda a investigação.
Delegacia de Polícia de Barra Velha – Foto: Ricardo Alves/NDTV Record JoinvilleComo chegou denúncia até a Polícia Civil?
Segundo o delegado Procópio, houve um desentendimento da vítima com o pai e a própria menina entrou em contatado com o Creas para denunciar os estupros.
O Creas, então, entrou em contato com a Polícia Civil, que iniciou imediatamente as investigações. Recentemente, o delegado concluiu o inquérito, encaminhou à Justiça, pediu a prisão do pai e da madrasta.
A Justiça acatou e os dois foram presos nesta quarta-feira (20) em Barra Velha. Vão responder por estupro de vulnerável. Inclusive, nesta quinta-feira (21) a prisão em flagrante do casal foi convertida em preventiva. A madrasta tem outro filho de outra relação. A criança está sob a guarda do pai biológico.
Após serem acompanhadas e assistidas pelo Creas e Assistência Social de Barra Velha, a adolescente de 12 anos e a bebê foram levadas para um abrigo e agora estão em segurança em outro Estado fora de Santa Catarina com familiares da mãe biológica, que já é falecida.
Existe a possibilidade de a mãe da madrasta também ser denunciada por ter convivido neste ambiente doméstico e por ter conhecimento do crime. O pedido está sob avaliação do Ministério Público e Justiça.
Denunciar e proteger os direitos
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, que acompanhou o caso de perto e protegeu os direitos da criança/adolescente, esse caso tem gerado muita repercussão por conta do crime de estupro que gerou uma gestação.
O serviço de proteção existe e esses casos precisam ser denunciados. Tem sido feito um trabalho muito efetivo no município, segundo a secretaria, para combater qualquer violação contra os direitos humanos.
Secretaria de Assistência Social de Barra Velha – Foto: Ricardo Alves/NDTV Record JoinvilleQuando chegam casos de violência como este da menina estuprada, a primeira atitude é afastar a criança do ambiente em que houve o crime. A vítima é acolhida e levada para um abrigo até ser identificado um familiar com quem ela possa morar.
O Portal ND+ teve acesso a informações de que antes do parto a menina teve complicações, mas o bebê acabou nascendo em 2 de fevereiro deste ano na Darcy Vargas. Outra informação que chegou até o ND+ é de que a gravidez da menina só foi descoberta aos seis meses e que, àquela altura, não poderia ser mais feito o aborto.
Para denunciar casos de violência em Barra Velha é possível ligar para o Creas nos telefones (47) 3456-2644 e (47) 99176-6032 ou no Disque 100, para violações aos direitos humanos, e Disque 180, em casos de violência contra a mulher.
*Colaboração do cinegrafista Ricardo Alves, da NDTV Record Joinville.