A Polícia Civil de Itapema segue com as investigações sobre o assassinato de Josiéli Lopes, 36 anos, e do filho dela de três meses. As novas informações se referem a panela usada para cozinhar a carne que foi supostamente envenenada pelo ex-companheiro da vítima, e o trajeto percorrido para levar os corpos até Rio dos Cedros.
Panela suja e percurso: o que se sabe até agora sobre mãe e bebê envenenados – Foto: Polícia Civil de ItapemaPanela suja
Segundo informações do delegado Diogo Medeiros, responsável pelo caso, a polícia localizou resquícios de carne em uma panela, na casa do da vítima, que até o dia do crime, morou junto com o suspeito.
O material foi recolhido e encaminhado para a perícia. A previsão é que o resultado fique pronto até a próxima semana. Isso irá comprovar se há resíduos do veneno usado para assassinar Joiséli e o bebê.
SeguirTrajeto percorrido
Até o momento há algumas informações relacionadas ao trajeto percorrido pelo principal suspeito pelo crime. Segundo informações do delegado Medeiros, há registro da saída do investigado, por volta das 23h06, de Itapema.
Carro usado para levar os corpos de mulher e bebê de Itapema é apreendido no dia 23 de setembro – Foto: Divulgação/SIC ItapemaNo testemunho, ele afirma ter levado os corpos até a cidade de Rio dos Cedros. O confessou ter enterrado os cadáveres da ex-companheira e do próprio filho, em uma mata, localizada na zona rural de difícil acesso, no bairro Cedro II.
A viagem de Itapema a Rio dos Cedros, se percorrida somente pela BR-470, leva em média, 3h30 de duração. Entretanto, só há registros do retorno do investigado, próximo às 11h, do dia seguinte ao crime.
O crime
Segundo o delegado Diogo Medeiros, da Polícia Civil de Itapema, o crime foi premeditado. O homem preparou uma refeição, colocou veneno em um pedaço de carne e serviu para Josiéli.
Ela comeu e depois amamentou o filho de apenas três meses de vida, que também acabou envenenado. Logo em seguida, ambos começaram a passar mal e morreram. O suspeito confessou o crime, mas afirmou que não queria matar o filho.
Motivação
Segundo relato do investigado, ele matou a vítima após descobrir que ela estava em um novo relacionamento.
Assassinato de Josiéli Lopes, 36 anos, e do filho de três meses ocorreu em 15 de setembro – Foto: Arquivo pessoalA família de Josiéli informou que o casal já estava separado, mas ainda moravam juntos. O dia do crime era a data limite dada por Josiéli para que o ex-companheiro saísse de casa.
Sangue frio
Para despistar a família de Josiéli, o homem passou a enviar mensagens suspeitas aos parentes que moram em Palhoça e no estado do Paraná.
No último dia, ele enviou mensagem à irmã da vítima, Clarice Aparecida Alonso de Freitas, e informou que havia vendido o carro. A irmã achou a mensagem e acreditou ter sido enviada por outra pessoa.
Desde então, o número de Josiéli bloqueou os familiares no WhatsApp e nas redes sociais. A família não conseguiu mais contato com ela. O telefone celular também está sempre desligado.
Até o filho mais velho da vítima, de 17 anos, de um outro relacionamento, foi bloqueado, após ela supostamente informar que se mudararia para o Rio Grande do Sul.
O jovem registrou um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento da mãe. Contou à polícia que achou a forma de escrever estranha, e que não parecia a mãe conversando com ele pelo WhatsApp.
Sepultamento das vítimas
O sepultamento de Josiéli Lopes, de 36 anos, e do bebê dela, de três meses, foi marcado por emoção na tarde desta quinta-feira (24), no município de Palhoça.
“Não tem cabimento uma pessoa, em sã consciência, fazer uma coisa dessas”, desabafa Luiz dos Santos, ex-marido de Josiéli.
Luiz conta que já estava separado da vítima há cerca de cinco anos. Foi ele que fez o reconhecimento do corpo no IML (Instituto Médico Legal). Ele e a vítima tinham um filho juntos, de 17 anos, que notificou o pai do desaparecimento da mãe. Eles fizeram o boletim de ocorrência juntos.
Família presta homenagem
A família de Josiéli e do filho dela, prestou homenagem a eles no domingo (27). O ato foi realizado às 16h na Praça da Paz, no Centro de Itapema.
Família presta homenagem à mãe e bebê envenenados em Itapema – Foto: Clarice FreitasCerca de 23 pessoas, de forma silenciosa, pediram o fim de tantos feminicídios. Clarice Freitas, irmã da Josiéli expressou: “queremos justiça pela minha irmã, e por todas as mulheres deste mundo”.