‘Parece um pesadelo’, desabafa pai de menina de 7 anos assassinada pelo padrasto em SC

Criança morreu após levar um corte no pescoço durante uma discussão do padrasto com a mãe; suspeito morreu em confronto com guardas municipais

Kassia Salles Itajaí

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As brincadeiras, a voz doce e o amor incondicional da filha ficarão para sempre na memória de André Luís Conceição, pai da menina de apenas 7 anos, brutalmente assassinada na última segunda-feira (30) em Itajaí, Litoral Norte de Santa Catarina.

‘Parece um pesadelo’, desabafa pai de menina de 7 anos, assassinada pelo padrasto em SC – Foto: Reprodução/ND‘Parece um pesadelo’, desabafa pai de menina de 7 anos, assassinada pelo padrasto em SC – Foto: Reprodução/ND

Da filha, André escolheu lembrar dos momentos positivos. Dos cachinhos sempre bem cuidados pela menina vaidosa; dos vídeos divertidos que ela gravava no caminho da escola, quando o pai a levava nas segundas-feiras; das brincadeiras, dos planos.

Mas a ferida da perda traumática e recente dói. “Parece que é um pesadelo, e fico pedindo para acordar“, desabafa.

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A pequena morreu após ser ferida no pescoço com uma faca. Tudo aconteceu muito rápido, durante uma discussão entre a mãe dela e o padrasto, Marciel Medeiros, 41 anos. Marciel teria começado a discussão por ciúmes da companheira, e usado uma faca para ferir a menina. Tentando salvar a vida da pequena, o irmão dela, de 16 anos, teve os dedos cortados. A mãe também se feriu na discussão.

Marciel teria usado faca para cortar o pescoço da enteada, de apenas 7 anos – Foto: Reprodução/NDMarciel teria usado faca para cortar o pescoço da enteada, de apenas 7 anos – Foto: Reprodução/ND

Vizinhos ouviram os gritos e a fuga de Marciel. Em buscas, ainda naquela noite, enquanto a família levava a menina para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Cordeiros, onde ela não resistiu e morreu em decorrência dos ferimentos, Marciel entrou em confronto com a GMI (Guarda Municipal de Itajaí), onde levou um tiro e morreu.

Brincalhona, inteligente e querida por todos

André relembra da filha com carinho de um pai apaixonado pela menina. Ainda abalado pelo choque, ele relembra os planos que a pequena fazia para o aniversário de 8 anos, no dia 14 de junho. Eles planejavam passar um dia juntos e comemorar o aniversário dela e o de André, que é no dia 10.

Os planos eram para um dia de brincadeiras no Parque Beto Carrero. “Ela adorava ir, agora principalmente porque já havia passado de 1,20 m, e podia andar na montanha-russa”, conta. No ano passado, a comemoração também foi no parque. Com carinho, relembra que a pequena não passou no limite de altura necessária para o brinquedo, mas a vontade era tanta que, no dia seguinte, foi de bota para ficar alguns centímetros mais alta. “Mais coragem que eu”, brinca o pai.

André levantava cedo para trabalhar diariamente. Passava os finais de semana com a filha, desde que se separou da mãe dela, com quem a pequena morava. Nas segundas, como no dia do crime, ele quem a levava à escola, no bairro Espinheiros.

“Ela tinha o costume de colocar brinquedos na minha bota do serviço. Eu trabalho de açougueiro, e sempre quando ia colocar a bota para ir, tinha brinquedos dela”, relembra. “Ela ficava vendo eu colocar para rir quando eu sentia o brinquedo”.

Brincalhona e sorridente, a pequena não era apenas querida pelos pais: amava os primos; as professoras relembram da dedicação dela aos estudos. Até o patrão de André no supermercado em que ele trabalha sabia  que, nas segundas, ele chegaria mais tarde ao trabalho. Os dias com a filha eram sagrados.

“Os tios, tanto meus irmãos, quanto os da mãe dela, a amavam. Sempre foi cercada de amor”, conta André.

O cuidado da menina consigo mesma também é lembrada com carinho pelo pai. Ela tinha cabelos cacheados sempre muito bem cuidados, pintava as unhas e esperava para que o pai notasse. Amava unhas postiças, relembra André. “Todo mundo dizia que ela era parecida comigo, só que mais bonita”, brinca.

Crime chocante será investigado

A DPCami (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) investiga o crime, mas, conforme o delegado Alexandre Carvalho de Oliveira, como o principal suspeito está morto, a “punibilidade está extinta”. As circunstâncias do confronto que acabou na morte de Marciel também serão investigadas pela 2ª Delegacia de Polícia de Itajaí.

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Luto na cidade

A Câmara de Vereadores de Itajaí decretou luto oficial de três dias. “Esta tragédia demonstra a iminente necessidade de criação de políticas públicas e iniciativas concretas que garantam a segurança de meninas e mulheres em todos os ambientes da sociedade, em especial no próprio lar”, cita o Legislativo, em nota.

Confira na íntegra:

“A Câmara de Vereadores de Itajaí expressa profundo pesar pela morte brutal da menina de 7 anos, morta nesta segunda-feira, dia 30 de maio, no Bairro Espinheiros, em mais um crime de violência doméstica registrado em nosso estado. O Legislativo itajaiense presta condolências aos familiares e amigos da estudante neste momento tão difícil e decreta luto oficial por três dias.

Esta tragédia demonstra a iminente necessidade de criação de políticas públicas e iniciativas concretas que garantam a segurança de meninas e mulheres em todos os ambientes da sociedade, em especial no próprio lar.

A Câmara de Vereadores de Itajaí, como apoiadora de ações que visam acabar com a violência doméstica, tem realizado, por meio da Procuradoria Especial da Mulher, diversas iniciativas.

Em 2021, foi lançado o Espaço de Orientação à Mulher (EOM), que tem como objetivo auxiliar as mulheres vítimas de violência na busca por apoio e garantia de seus direitos. Além disso, o Legislativo lançou neste ano o concurso “Mulher Segura, Tarefa de Todos”, com o objetivo de levar a discussão da segurança da mulher a todas as escolas de Itajaí.

Embora sejam propostas simples, e que sozinhas não podem promover as mudanças de que a sociedade necessita, a Câmara de Vereadores de Itajaí entende que é dever de todos os órgãos públicos e agentes políticos incentivar a discussão do tema e trabalhar incessantemente pela cultura da paz.

Câmara de Vereadores de Itajaí”

O Grupo ND optou por não veicular o nome nem as fotos da menina, vítima de brutal tragédia, para preservar não apenas ela, mas também a mãe e do irmão.

*Com informações de Sheila Cardozo, da NDTV. 

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