Peça com suástica nazista e busto de Hitler somem de loja em SC após denúncia à polícia

Polícia Civil instaurou inquérito para investigar suposta venda de itens com apologia ao nazismo em mercado de antiguidades de Nova Trento

Bruna Stroisch Florianópolis

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Uma peça com a suástica nazista e o busto de Adolf Hitler sumiram de um mercado de antiguidades em Nova Trento, na Grande Florianópolis. No domingo (8), um turista denunciou a venda dos itens com apologia ao nazismo à polícia.

Busto de Hitler estaria sendo vendido em loja de antiguidades em Nova Trento – Foto: Reprodução/NDBusto de Hitler estaria sendo vendido em loja de antiguidades em Nova Trento – Foto: Reprodução/ND

Segundo a denúncia, os artigos estariam sendo comercializados no Mercado de Pulgas, que fica anexo ao Museu da Cultura Italiana, no Centro do município. Foram feitas diligências preliminares nesta segunda-feira (9) e os objetos não foram encontrados.

A Polícia Civil instaurou um inquérito policial e serão feitas novas diligências para investigar os fatos. O responsável pelo caso é o delegado Conrado Cintrão, da Delegacia de Polícia de Nova Trento.

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A divulgação de símbolos nazistas e racistas é crime tipificado na Lei n° 7.716/89, no artigo 20: “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional’. A pena é de prisão de um a três anos e multa.

Além disso, é crime ‘fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”.

Procurada pela reportagem, a prefeitura de Nova Trento informou nesta terça-feira (10) que não tinha conhecimento da suposta venda de artigos com apologia ao nazismo por se tratar de uma propriedade particular. O departamento jurídico, conforme a prefeitura, já tomou as providências que cabem ao Poder Executivo.

O ND+ tentou contato com o Mercado de Pulgas, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

MPSC aguarda conclusão do inquérito

O turista também fez a denúncia ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina). A assessoria de comunicação informou “que a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de São João Batista está aguardando a conclusão do inquérito policial para avaliar as medidas cabíveis.”

O órgão acrescentou que, em paralelo, o NECRIM (Núcleo de Enfrentamento aos Crimes de Racismo e Intolerância) do MPSC está acompanhando o caso.

Outro caso semelhante foi registrado no município de Timbó. Um procedimento foi instaurado pelo MPSC no início de junho. Contudo, em virtude da necessidade de diligências complementares, o procedimento de investigação criminal foi encaminhado à Polícia Civil. A 2ª Promotoria de Justiça acompanha o andamento do inquérito.

Manifestações nazistas em SC

Após um vídeo flagrar um homem balançando a bandeira com a suástica em um apartamento em Florianópolis, em maio, reportagem do ND+ apurou o aumento de manifestações nazistas em Santa Catarina.

Outros registros marcantes vão da suástica desenhada em uma piscina de um candidato a vereador a casos de agressões homofóbicas ou racistas por grupos.

Para o professor de história da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) João Klug, o crescimento de casos está ligado a uma onda que ocorre em todo o mundo desde a metade da última década.

Peça com suástica nazista e a frase “Eintritt Verboten”, que, em tradução livre significa “entrada proibida” – Foto: Reprodução/NDPeça com suástica nazista e a frase “Eintritt Verboten”, que, em tradução livre significa “entrada proibida” – Foto: Reprodução/ND

“O que eu percebo é que tem acontecido com muito mais frequência que um tempo atrás, e estou associando isso a uma visão de impunidade em relação a manifestações, atitudes violentas a imigrantes e homofobia”, explica o historiador. “É uma marca que tem acontecido em manifestações de extrema-direita no mundo todo”, diz.

Klug ainda detalha a mudança de percepção do público em relação a quem pratica tais atos nazistas. “Esse pessoal não ficou assim, eles eram assim e a gente não sabia. E agora eles sentem uma liberdade em se expressar. Essas coisas são crimes, mas nada acontece”, afirma.

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