As investigações contra o presidente Jair Bolsonaro (PL), que apuravam sobre a divulgação de fake news em live, foram encerradas pela PF (Polícia Federal). Os investigadores concluíram que o presidente atentou contra a paz pública e incitou ao crime, uma vez que desestimulou brasileiros a usarem máscara.
PF conclui que Bolsonaro cometeu crimes ao disseminar Fake News – Foto: Marcos Corrêa/PR/Arquivo/NDO inquérito que apurava a conduta de Bolsonaro foi aberto pela PF, após pedido da CPI da Pandemia. As fake news foram divulgadas pelo presidente durante uma de suas tradicionais lives semanais, e que foi transmitida em outubro de 2021, por meio das redes sociais do chefe do executivo brasileiro.
O relatório final da investigação, que imputam os crimes a Bolsonaro, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que tem como relator do inquérito o ministro Alexandre de Moraes.
Seguir“Jair Messias Bolsonaro, de forma direta, voluntária e consciente, disseminou as desinformações produzidas por Mauro Cesar Barbosa Cid, em sua ‘live’ semanal no dia 21 de outubro de 2021, causando verdadeiro potencial de provocar alarme junto aos espectadores”, diz o relatório da PF.
Além de Bolsonaro, a polícia também atribuiu os crimes a Mauro Cid – que participou da produção dos conteúdos divulgados na live. Ele tamém é alvo de outros inquéritos.
Associar vacina ao vírus da Aids
Em uma das falas na live, Bolsonaro associou falsamente o uso da vacina contra à Covid-19 a um risco maior de contrair o vírus da Aids.
Na transmissão ao vivo, o presidente leu um texto no qual afirmava falsamente que pessoas com duas doses da vacina contra a Covid-19 desenvolviam a “síndrome da imunodeficiência adquirida” – que é o nome oficial da Aids – “mais rápido do que o previsto”.
Ainda, que tal tese, supostamente, constava em “relatórios oficiais do governo do Reino Unido”.
Por conta das inverdades, a polícia concluiu que o presidente atentou contra a paz pública, por disseminar informação falsa sobre a vacina e o HIV.
Desestimular o uso de máscara
A polícia ainda concluiu que Bolsonaro incitou a pratica de crime, ao estimular que brasileiros não fizessem uso da máscara. Na ocasião, o presidente divulgou outra desinformação em relação ao equipamento de proteção, que chegou a ser obrigatório no Brasil durante a pandemia, como uma medida de enfrentamento da doença.
Segundo a PF, o chefe do executivo brasileiro disse que “a maioria das vítimas da gripe espanhola não morreu de gripe espanhola (…) mas de pneumonia bacteriana causada pelo uso de máscaras”. Contudo, trata-se de outra fake news divulgada pelo presidente.
Com isso, para a Polícia, Bolsonaro contrariou “as orientações mundiais atinentes ao combate à pandemia da covid-19 promovidas pela Organização Mundial de Saúde, à utilização de vacinas no enfrentamento da covid-19, bem como às normas legislativas vigentes à época”, concluiu a PF.
Após a transmissão, as redes sociais, como Facebook e Instagram, e o Youtube excluíram o vídeo de suas plataformas.
*Com informações portal UOL