PF detalha último relatório da Alcatraz com bloqueio de R$ 50 milhões; veja balanço final

Documento aponta conduta criminosa de 20 investigados, entre empresários e agentes públicos, envolvidos em fraude a licitações do Estado

Redação ND Florianópolis

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A Polícia Federal encaminhou à 1ª Vara da Justiça Federal de Florianópolis o último relatório que trata do inquérito policial da Operação Alcatraz. O documento aponta indícios de conduta criminosa de 20 investigados e bloqueio em contas bancárias de mais de R$ 50 milhões.

PF entrega último relatório à Justiça e divulga balanço final da 1ª fase da Alcatraz – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDPF entrega último relatório à Justiça e divulga balanço final da 1ª fase da Alcatraz – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

O relatório detalha o envolvimento de empresários ligados a três grupos econômicos, na forma de cartel, para fraudar licitações relacionadas à contratação de empresa especializada em prestação de serviços terceirizados e do ramo de tecnologia realizadas pela SEA (Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina). A ação criminosa teve, ainda, a participação de agentes públicos.

De acordo com a PF, os fatos ocorreram entre os anos de 2011 e 2017. Há evidências de que foram efetuados pagamentos indevidos aos agentes públicos, em valores que, atualizados, superam R$ 21 milhões.

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No curso da investigação, a Polícia Federal solicitou à Justiça Federal a devolução aos cofres públicos de mais de R$ 37 milhões dos grupos empresariais envolvidos e seus representantes, além dos R$ 21 milhões por parte dos agentes públicos.

Já em 30 de maio de 2019, quando foi deflagrada a 1ª fase da operação Alcatraz, foram bloqueados valores em contas bancárias relacionados aos investigados em valor total superior a R$ 31 milhões, conforme a PF.

Com esse último relatório, o órgão encerra o inquérito policial que desencadeou a 1ª fase da operação. Desde a deflagração, foram apresentados 25 relatórios policiais com indiciamento de 76 pessoas pela prática de diversos crimes, entre eles:

  • Fraude à licitação,
  • Corrupção,
  • Peculato,
  • Lavagem de dinheiro,
  • Violação de sigilo funcional,
  • Falsidade ideológica,
  • Cartel,
  • Organização criminosa.

Foram obtidas 19 ações penais pelo MPF (Ministério Público Federal) perante à Justiça Federal. Duas das ações já foram julgadas em 1ª instância resultando na condenação de cinco réus com penas que variam de 4 a 14 anos de detenção e multa.

Balanço final

Durante a 1ª fase da Operação Alcatraz foram apreendidos pela Polícia Federal:

  • R$ 607.665 em espécie;
  • 30.430 dólares em espécie;
  • 4.810 euros em espécie;
  • 10 veículos;
  • 2 motos aquáticas.

Além disso, em razão do cumprimento das ordens judiciais de sequestro de valores dos suspeitos, foi efetivamente bloqueado em contas bancárias o montante de R$ 50.396.745,51, com a seguintes divisões:

  • Empresas do ramo de prestação de serviço de mão de obra terceirizada (pessoas jurídicas) – R$ 18.878.633,72;
  • Responsáveis por empresas do ramo de prestação de serviço de mão de obra terceirizada (pessoas físicas) – R$ 24.314.786,65;
  • Empresas do ramo de tecnologia (pessoas jurídicas) – R$ 3.221.442,34;
  • Responsáveis por empresas do ramo de tecnologia (pessoas físicas) – R$ 3.750.363,01;
  • Outras empresas – R$ 231.519,76.

Foram, ainda, cumpridas outras ordens judiciais de sequestro relativas a nove imóveis de titularidade dos indiciados. São eles: quatro apartamentos, três salas comerciais, uma casa e um sítio, constando restrição de transferência perante o respectivo Registro de Imóveis.

As provas coletadas durante as investigações serviram para que nenhum dos bens imóveis apreendidos e valores sequestrados fossem devolvidos aos indiciados até o momento. O principal objetivo é ressarcir os valores aos cofres públicos.