PF realiza buscas para apurar morte de indígena em área sob disputa no Planalto Norte de SC

Indícios apontam que indígena sofreu pauladas na cabeça; fonte afirma que corpo da vítima foi queimado

Foto de Mariana Costa

Mariana Costa Joinville

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Duas semanas após a morte do indígena Hariel Paliano, em uma comunidade entre as cidades de Itaiópolis e José Boiteux, no Planalto Norte catarinense, a PF (Polícia Federal) realizou buscas para investigar o caso.

PF realiza buscas em investigação sobre morte de indígena em área sob disputa no Norte de SCPF realiza buscas em investigação sobre morte de indígena em área sob disputa no Norte de SC – Foto: PF/Reprodução/ND

A PF, com o apoio da Polícia Civil e Científica, cumpriu dois mandados de busca e apreensão em imóveis localizados na zona rural do município de Doutor Pedrinho, durante a noite da última sexta-feira (10).

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Os policiais federais estiveram no imóvel da vítima, que contava com um terceiro morador, e em uma casa próxima ao local em que o corpo foi encontrado. Foram coletados celulares e roupas que podem ter sido usadas pelos autores do crime.

De acordo com a PF, as buscas foram realizadas durante à noite pois foi necessário a utilização de luminol, reagente químico que em contato com o ferro presente no sangue, emite uma luz azul-fluorescente, permitindo a identificação de vestígios.

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    Foram apreendidos celulares e roupas que podem ajudar a apontar autor do crime - PF/Reprodução/ND
    Foram apreendidos celulares e roupas que podem ajudar a apontar autor do crime - PF/Reprodução/ND
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    As buscas foram realizadas durante à noite pois foi necessário a utilização de luminol - PF/Reprodução/ND
    As buscas foram realizadas durante à noite pois foi necessário a utilização de luminol - PF/Reprodução/ND

Relembre o caso

O corpo de indígena assassinado em Itaiópolis foi encontrado com sinais de espancamento em 27 de abril. O jovem de 26 anos teve ainda parte do corpo incendiado.

Indícios apontam que Hariel Paliano, que era vice-cacique da comunidade, tenha sofrido pauladas na cabeça, mas um laudo pericial deve confirmar as circunstâncias da morte.

Ao que tudo indica, o indígena da etnia Xokleng foi alvo de uma emboscada, quando saiu para fazer compras em uma mercearia, na noite do dia 26.

Uma fonte ligada à comunidade e ouvida pelo portal ND Mais afirmou que a área onde a família de Hariel vive possui uma portaria que a reconhece como terra indígena, mas há uma contestação que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) questionando a decisão.

“Ela [família] veio sendo alvejada com tiros durante alguns finais de semana, há mais ou menos um mês. Já tiveram outros momentos que tiveram conflitos ali, mas nunca com morte”, afirma a fonte. De acordo com ela, o corpo do jovem indígena foi queimado.