‘Piloto foi um visionário’, relata testemunha da queda do helicóptero em Canasvieiras

Testemunhas do episódio que chocou turistas e moradores, em Canasvieiras, nesta quarta-feira, revelaram impressões - semelhantes - sobre a queda da aeronave

Foto de Diogo de Souza e Felipe Bottamedi

Diogo de Souza e Felipe Bottamedi Florianópolis

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A queda de um helicóptero que realizava táxi aéreo por volta das 17h desta quarta-feira (19) chocou quem estava na praia de Canasvieiras, Norte da Ilha de Santa Catarina.

As três vítimas – o piloto, de 39 anos e um casal, ambos com 55 anos – foram resgatadas pelos banhistas, que formaram uma corrente humana para protegê-los.

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    Queda de aeronave, na água, próxima a faixa de areia deixou três pessoas - todas ocupantes - feridas - Leo Munhoz/ND
    Queda de aeronave, na água, próxima a faixa de areia deixou três pessoas - todas ocupantes - feridas - Leo Munhoz/ND
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    Testemunhas relatam cena "chocante" em Canasvieiras - Leo Munhoz/ND
    Testemunhas relatam cena "chocante" em Canasvieiras - Leo Munhoz/ND
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    Destroços da aeronave: susto imenso em turistas, moradores e comunidade da capital - Leo Munhoz/ND
    Destroços da aeronave: susto imenso em turistas, moradores e comunidade da capital - Leo Munhoz/ND

Todos os ocupantes do veículo sofreram ferimentos leves. A mulher sofreu um corte no rosto e na perna, o homem na perna. O casal é natural de Sapucaia do Sul (RS). O piloto, que se feriu na região do rosto e do estômago, não teve a naturalidade revelada.

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Aeronave voando baixo

Quando viu o helicóptero caindo gradualmente, a primeira reação de Luiz Fernando Nascimento foi berrar para o piloto “subir”. Ao perceber que era uma falha, empurrou a esposa e se jogou na areia para não ser atingido pelos estilhaços.

“Mais a frente estava cheio de gente. Mas o piloto foi visionário e escolheu um lugar com poucas pessoas para cair. Só tinha eu e ela, que estávamos a cerca de quatro metros do local de queda”, conta o homem de 54 anos, que testemunhou o acidente, mora em Cuiabá (Mato Grosso) e passa férias na Capital.

Depois do susto, eles correram para tirar as vítimas, junto a outros banhistas. “Retirei a mulher, de forma que ela não ficasse em pânico. Depois fizemos uma corrente de pessoas para não deixar o mar levar a aeronave”, lembra Luiz.

Luiz Fernando Nascimento, turista e natural do Mato Grosso, ajudou a resgatar as vítimas – Foto: Leo Munhoz/NDLuiz Fernando Nascimento, turista e natural do Mato Grosso, ajudou a resgatar as vítimas – Foto: Leo Munhoz/ND

Um outro relato, de um cidadão que pediu para não ser identificado, vai ao encontro do relato de Luiz Fernando, uma vez que dá conta que a aeronave já estava voando baixo na altura do trapiche localizado na região.

A testemunha, sem conhecimento de causa, explicou que o piloto fez um movimento de “jogar” a aeronave na água em uma região pouco ocupada.

“Helicóptero passou em cima de mim”

Segundo o gestor de tráfego aéreo, Léo Plamer Larrosa, 25, natural de Pelotas (RS), turista e testemunha do episódio, foi tudo “muito rápido” e o movimento da aeronave pareceu muito “estranho”.

Queda de helicóptero em Canasvieiras, Norte da Ilha – Foto: Leo Munhoz/NDQueda de helicóptero em Canasvieiras, Norte da Ilha – Foto: Leo Munhoz/ND

“Quando ouvi a falha, brinquei com meu cunhado: falhou o carburador, mas imaginando algo ‘normal’. Só que a partir daí simplesmente não ligou mais e começou a cair, quando atingiu a água fez um barulho muito forte e aí sim eu fiquei perplexo”, relembrou.

A queda do avião também foi acompanhada pelo garçom Cristiano Pereira, do restaurante Sabores do Sul. “Eu me preparava pra ir embora, conversa com os rapazes. Ele voava baixo e vinha falhando bastante como se fosse um carro com vela pra trocar. Eu disse ‘acho que vai cair’. Quando percebi já estava todo mundo olhando”, lembra.

Possível pane

Segundo a Icaraí Taxi Aéreo, empresa responsável pelo serviço, o piloto informou pelo rádio que o problema fora um pane no motor. No fim da tarde desta quarta-feira, a empresa aguardava a chegada do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). O órgão irá fazer a retirada e irá periciar o veículo e, aí sim, precisar as reais causas da queda.

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