Pirâmide de ‘day traders’ captou R$ 200 milhões e lesou milhares de vítimas em SC, SP, RJ e PR

Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em seis cidades; investigações iniciaram em 2021

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

A Polícia Federal e a Refeita Federal deflagraram a Operação Traders, na manhã desta quinta-feira (28), para investigar uma pirâmide financeira com milhares de vítimas de Santa Catarina e outros três Estados. Os prejuízos giram em torno de R$ 200 milhões.

Operação Traders foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (28) – Foto: Polícia Federal/Divulgação/NDOperação Traders foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (28) – Foto: Polícia Federal/Divulgação/ND

Segundo as investigações, os acusados se apresentavam como “traders” para captar economias de vítimas e aplicar os recursos no mercado imobiliário.

Sob a falsa promessa de lucros acima do mercado (de até 6,4%), os suspeitos não faziam aplicações na bolsa na maioria das vezes e, quando aplicavam os montantes, tinham prejuízos.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A organização também operava em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, onde foram cumpridos 17 mandados judiciais nas cidades de Umuarama, Guaíra, Douradina, Foz do Iguaçu, Curitiba e Taboão da Serra.

Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal determinou o sequestro de automóveis, imóveis e criptoativos.

Entenda o esquema

As operações eram feitas através de, pelo menos, 22 empresas não autorizadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a captar recursos e realizar investimentos no mercado.

Os investigados emitiram e ofereceram ao público valores mobiliários consistentes em contratos de investimento coletivo em nome de empresa de fachada, sem registro prévio de emissão junto à CVM, sem lastro ou garantia suficientes e sem autorização prévia da CVM.

Ao longo do tempo, os investigados não conseguiam mais honrar os compromissos assumidos por conta da natureza do esquema, já que o que  era arrecadado não era investido em operações de bolsa.

Criminosos aplicavam pirâmide financeira contra milhares de vítimas – Vídeo: Polícia Federal/Divulgação/ND

Os valores investidos pelas vítimas variavam de R$ 1 mil (valor mínimo aceito pelo grupo), sem limite máximo. Conforme os policiais, algumas pessoas investiram valores acima de R$ 1 milhão.

Foram cumpridos 17 mandados nesta quinta (28) – Vídeo: Polícia Federal/Divulgação/ND

Os valores eram depositados diretamente nas contas das empresas investigadas e depois transferidas, parcialmente, para as constas pessoais dos líderes do esquema.

Investigações começaram em 2021 – Vídeo: Polícia Federal/Divulgação/ND

A partir disso, a líder do esquema, que morava em Umuarama/PR, começou a alegar às vítimas que iria migrar de operações em bolsa de valores para criar um banco digital. Com este novo empreendimento, assim, ele afirmava que conseguiria honrar os pagamentos, o que não ocorreu.

Participaram da operação cerca de 70 policiais federais e 15 servidores da Receita Federal. As ordens foram expedidas pela 23ª Vara Federal de Curitiba.

Início das investigações

A investigação começou em 2021 a partir da identificação das primeiras filiais das falsas empresas de operação em bolsa de valores em pequenas cidades da fronteira paranaense com o Paraguai, como Guaíra, Douradina e Umuarama.

A Polícia Federal diz que chamou atenção o uso de veículos de luxo pelos líderes do esquema na região de fronteira, incompatíveis com a renda declarada.

  • 1 de 2
    Além de Santa Catarina, grupo operava em outros três Estados - Polícia Federal/Divulgação/ND
    Além de Santa Catarina, grupo operava em outros três Estados - Polícia Federal/Divulgação/ND
  • 2 de 2
    O número exato de vítimas não foi divulgado - Polícia Federal/Divulgação/ND
    O número exato de vítimas não foi divulgado - Polícia Federal/Divulgação/ND

A investigação segue em andamento e é feita em conjunto entre a Polícia Federal de Guaíra e o Núcleo de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do Brasil (Foz do Iguaçu/PR).

A Comissão de Valores Mobiliários também colaborou com os trabalhos e acompanha as diligências em andamento. Os envolvidos devem responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, Contra o Mercado de Capitais, Contra a Economia Popular, Organização Criminosa e Lavagem de dinheiro.