PMs acusados de torturar, matar homem e jogá-lo em rio em Lages vão para júri popular

Homem teria sido torturado e assassinado por PMs, que teriam alterado informações para dar a entender que ele estava foragido

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

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Três PMs (Policiais Militares) e um operador de máquinas acusados de matar um homem e jogá-lo no rio Caveiras, em Lages, vão enfrentar um júri popular. Segundo o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), o homem foi torturado.

PMs são acusados de assassinar homem depois de torturá-loPMs são acusados de assassinar homem depois de torturá-lo – Foto: Arquivo/ND

Em 1º de julho de 2019, um cadáver foi encontrado boiando nas margens do rio Caveiras, em Lages. Logo em seguida, ele foi identificado e surgiu um vídeo onde ele confessava um crime.

As investigações mostraram que, dias antes de ter sido encontrado morto, a vítima havia sido presa em flagrante no bairro Vila Nova. No entanto, em vez de ser preso, ele foi levado pelos policiais até a casa de um operador de máquinas.

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PMs teriam matado homem e afirmado que ele estava foragido

No quintal da casa, ele teria sido torturado, assassinado e descartado na chamada “ponte velha”, no bairro Santa Clara. Bombeiros resgataram o corpo e, segundo a apuração, a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico.

A “confissão” do homem teria sido gravada pelo operador de máquinas. Ainda, uma terceira PM, acusada de peculato digital, teria colocado informações falsas no sistema e dado a entender que o homem estava foragido.

‘Ninguém tem carta branca para matar outra pessoa por não gostar do seu histórico’, diz promotora do caso

A 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lages ofereceu denúncia contra o operador de máquinas e os três policiais militares em 19 de setembro daquele ano e a Justiça decretou a prisão preventiva dos réus no dia seguinte. Desde então, os PMs aguardam o desenrolar do processo em liberdade.

Os quatro são acusados de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. As qualificadoras citadas na denúncia são o motivo torpe (vingança), o recurso que dificultou a defesa da vítima (superioridade numérica) e o meio cruel (sofrimento). A data do júri ainda será marcada.

A Promotora de Justiça que atua no caso, Rafaela Póvoas Cardozo Lehmann, reforça que não se pode fazer justiça com as próprias mãos.

“Ninguém tem carta branca para matar outra pessoa por não gostar do seu histórico. Todos têm direito a um julgamento justo e proporcional aos atos cometidos, com base na lei, e quem ignora isso sujeita-se a enfrentar as consequências”, diz.

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