Dois policiais militares de Santa Catarina, investigados pelo desaparecimento de Diego Bastos Scott, 39 anos, em 15 de janeiro de 2021, em Laguna, foram expulsos da corporação.
Câmera de segurança registrou o momento em que Diego foi levado pelos policiais – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVA decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado dessa segunda-feira (10) e assinada pelo governador Carlos Moisés (sem partido) e pelo secretário estadual da Administração, Jorge Tasca.
“O governador de Santa Catarina, no uso de suas atribuições, com fundamento nos documentos contidos no processo PMSC 63926/2021 […] resolve negar provimento ao recurso de queixa […] e, com isso, manter a penalidade de exclusão a bem da disciplina”, diz o documento.
SeguirEm nota, o advogado de defesa da família, Breno Schiefler Bento, avaliou a medida como um “primeiro passo” rumo à justiça. “Nada trará o Diego de volta, mas é um mínimo de conforto para a família após um ano de espera. Seguiremos em busca de justiça nas esferas criminal e cível e buscando também uma despedida digna para o Diego”.
Diego Scott está desaparecido desde janeiro de 2021 em Laguna – Foto: Reprodução/Facebook/Divulgação NDA reportagem também entrou em contato com a Aprasc (Associação de Praças do Estado de Santa Catarina), responsável pela defesa dos investigados no processo administrativo, que informou que no momento não vai se manifestar.
Acusações
Os militares investigados Eduardo Rosa de Amorim e Luiz Henrique Correa de Souza já haviam sido afastados pelo Comando-Geral da PM (Polícia Militar) desde 28 de janeiro de 2021, mas entraram com recurso contra a decisão – pedido que foi negado. Eles também chegaram a ficar detidos no mês seguinte, pois teriam interferido nas investigações.
O pedido de prisão, na época, foi requerido pela própria PM e decretado pela Justiça, com parecer favorável do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina). Segundos os órgãos, os agentes estariam subtraindo provas, além de ameaçando e coagindo testemunhas, mesmo afastados de suas funções.
As investigações ainda constataram que os suspeitos teriam eliminado eventuais provas em seus celulares. Além disso, desligaram tablets e câmeras da PM, após a detenção de Diego. Esses equipamentos deveriam ser mantidos em funcionamento durante a ação dos policiais para, entre outras finalidades, permitir a fiscalização das operações.
Desaparecimento
O desaparecimento de Diego completa um ano neste sábado (15). A sua última aparição foi ao entrar numa viatura durante uma abordagem policial em Laguna, no Sul catarinense.
Conforme as investigações, Diego tinha problemas com álcool e drogas e, às vezes, incomodava a família. Costumeiramente, a PM era acionada para acalmar os ânimos, já que ele respeitava a presença dos militares. Porém, no dia 15 de janeiro de 2021, após mais uma chamada da família à PM ele não retornou para casa.
No dia do sumiço, segundo familiares, ele saiu pela manhã e foi até um posto de gasolina onde começou a beber. Depois seguiu para a casa do pai e iniciou uma discussão pelo fato de ele o ter encontrado no posto. Edson Scott tentou explicar que não estava perseguindo Diego, mas que tinha ido comprar um cigarro para a esposa.
Após Edson chamar a polícia, Diego voltou ao posto, onde os policiais supostamente o abordaram e tiveram uma conversa com ele para que não voltasse para casa.
Já no período da tarde, ele retornou para a casa e novamente a polícia foi acionada. A mesma viatura com os mesmos policiais atendeu a ocorrência novamente.
Eles conversaram com Diego e ele voltou para dentro de casa. Depois de um tempo ele pegou um cigarro e um isqueiro e foi para a frente da residência. Após cerca de 20 minutos, os policiais novamente apareceram na casa e chamaram a esposa de Diego informando que ele não iria mais incomodar.
Vizinhos, então, informaram a ela que os policiais haviam levado Diego na viatura da PM. Uma câmera de segurança flagrou o momento que eles o colocaram dentro da viatura.
Após este fato, os policiais alegaram que o haviam abandonado na região de Laguna Internacional. Buscas com cães, helicóptero e com ajuda de amigos e familiares foram feitas, mas ele não foi encontrado.
Arquivamento
Em agosto, por falta de provas, a 5º Promotoria de Justiça de Florianópolis do Ministério Público de Santa Catarina pediu o arquivamento do inquérito que investigava os dois policiais quanto ao sumiço ou eventual homicídio de Diego.
Apesar da perícia no tablet da viatura ter concluído que ele não apresentava problemas no dia dos fatos e não teria motivo para estar desligado, como apontaram os policiais.
A falta de provas como vestígios biológicos na viatura e nos carros particulares dos policiais, a falta de materialidade do corpo, entre outros, foram os motivos alegados para o pedido do arquivamento.
Na solicitação, o MP destaca que embora exista um nexo entra as condutas dos policiais e o desaparecimento de Diego, bem como indícios de que ele possa não estar vivo, não há elementos suficientes que demonstrem a materialidade do crime. O caso poderá ser desarquivado caso o corpo ou Diego seja encontrado.